Novos distúrbios elevam tensão na Esplanada das Mesquitas
Internacional|Do R7
Jerusalém, 25 fev (EFE).- Pelo menos três palestinos foram detidos nesta terça-feira após uma série de confrontos com soldados da polícia israelense na disputada Esplanada das Mesquitas, lugar santo para muçulmanos e judeus na Cidade Antiga de Jerusalém, informou à Agência Efe fontes policiais. Segundo o porta-voz Micky Rosenfeld, os distúrbios foram iniciados depois que vários palestinos começaram a "lançar pedras e artefatos incendiários" contra agentes que vigiavam o exterior do também chamado "Monte do Templo", onde a tensão cresce a cada dia há várias semanas. Os policiais reagiram à ação e conseguiram dispersar o grupo após deter três dos presentes, enquanto dois oficiais das forças de segurança foram transferidos ao hospital com ferimentos leves, indicou Rosenfeld. O lugar em questão, um dos principais símbolos de Jerusalém, permanece fechado para visitantes e turistas "para evitar qualquer tipo de prejuízo", esclareceu o porta-voz policial. Segundo a agência local de notícias "Ma'an", os incidentes começaram após um protesto articulados pelos palestinos contra uma proposta de lei que será discutida na tarde de hoje no parlamento israelense. A iniciativa procura impor a soberania israelense sobre o lugar, onde estão a Cúpula da Rocha e a Mesquita de al-Aqsa (do século VII d.C.), o terceiro lugar mais sagrado do Islã, depois da Meca e da Medina. Fontes policiais não puderam confirmar esta informação, mas asseguraram que o crescente número de confrontos registrados nas últimas duas semanas "poderia facilmente estar relacionado com a votação no Parlamento". Os judeus também consideram o lugar sagrado e, por isso, costumam a rezar à beira da esplanada inferior, onde está situado o chamado Muro das Lamentações. A edição digital do jornal "Yedioth Ahronoth" afirma que o próprio primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou estar contra da iniciativa, enquanto analistas políticos não acreditam que tal resolução terá apoio parlamentar suficiente para seguir adiante. Na última sexta-feira, seis pessoas foram detidas na esplanada, mas os confrontos entre devotos palestinos, policiais e judeus, que se dirigem à zona para rezar, são cada vez mais constantes na região. Na última década, o número de judeus que apoia uma mudança do status quo da Esplanada das Mesquitas aumentou consideravelmente, um fato que não estaria somente envolvido com questões religiosas, mas políticas, denunciou um relatório das ONG israelenses Khesev e Ir Amim, que alerta do risco dessa tendência. O documento, intitulado "Relações perigosas: a dinâmica do aumento do Movimento do Templo e suas implicações", assegura que o governo israelense financia organizações extremistas que articulam a mudança de uso e, inclusive, as mais radicais, que desejam destruir as mesquitas para levantar um novo templo judeu. O status quo, em vigor há 500 anos e respeitado após a ocupação israelense dos territórios palestinos em 1967, estabelece que os muçulmanos têm direito de rezar na Esplanada, no alto da colina. EFE mss/fk











