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O ano da queda de Berlusconi e da transformação da política italiana

Internacional|Do R7

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Cristina Cabrejas. Roma, 20 dez (EFE).- O ano de 2013 será lembrado na Itália como aquele em que se presenciou a queda de Silvio Berlusconi, condenado, expulso do parlamento e privado do escudo da imunidade, mas também como o da transformação da política italiana. Silvio Berlusconi voltou a ser, como nos últimos 19 anos, o protagonista indiscutível do panorama político italiano, embora, desta vez, 2013 tenha sido testemunha de um lento declínio cujo ato final foi escrito no dia 27 de novembro, quando o senado votou a favor da cassação do seu mandato após a condenação a quatro anos de prisão por fraude fiscal. Apesar de ferir gravemente o brio de "Il Cavaliere", a cassação do senado representa, sobretudo, a impossibilidade de participar de eleições nos próximos 6 anos pela aplicação da chamada lei Severino, que proíbe os condenados a penas definitivas de mais de dois anos de obter uma cadeira no parlamento. Até 27 de novembro, data que muitos analistas descrevem como a do final de toda uma era, Berlusconi condicionou e manteve como prisioneira a vida política do país durante todo o ano. O resultado incerto das eleições gerais de 24 e 25 de fevereiro foram, para Berlusconi, a oportunidade de tramar outro de seus planos para assegurar seu lugar no poder. Diante da fraqueza da centro-esquerda, "Il Cavaliere" conseguiu convencer todos a fazer parte de uma coalizão governamental que o chefe de Estado, Giorgio Napolitano, encarregou o comando a Enrico Letta. O também magnata da mídia italiana, apesar de não ter ganhado as eleições, voltava ao controle das rédeas do país e, sob as contínuas ameaças de abandonar a coalizão, conseguiu ditar seu roteiro ao executivo de Enrico Letta. O final de Berlusconi, no entanto, se desencadeou no dia 1º de agosto quando a Corte Suprema confirmou a condenação a quatro anos de reclusão pelo crime de fraude fiscal no caso Mediaset e a dois anos de proibição de exercer qualquer cargo público. Na tentativa de evitar sua cassação, que lhe deixava, além disso, sem a imunidade parlamentar para o restante dos processos que ainda deve enfrentar, Berlusconi tentou forçar em outubro uma crise de governo com a ameaça de renúncia dos ministros da sua base. Mas neste ano "amargo", como o próprio Berlusconi definiu, a iniciativa se voltou contra si mesmo e terminou com a ruptura do seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), e a traição daquele que foi seu apadrinhado e herdeiro político, Angelino Alfano, que deixou a casa do pai para formar seu próprio grupo. Um grupo, o Novo Centrodestra, que garantia a sobrevivência do executivo de Enrico Letta e significava o golpe de misericórdia ao protagonista da vida política italiana dos últimos 20 anos. Tudo leva a crer que assim se conclui a carreira política de Berlusconi após a fundação do Forza Itália em 1994, mas o ex-mandatário e empresário acostumou o país a surpreendentes golpes de cena e muitos asseguram que ainda se seguirá falando de "Il Caimano" (jacaré em italiano). A saída de Berlusconi do parlamento criou uma situação anômala e inovadora na política italiana: os três líderes mais carismáticos do país não têm cadeira. Além de Berlusconi, 2013 marcou a entrada no parlamento da "antipolítica", o Movimento 5 Estrelas, que conseguiu colocar nas eleições de fevereiro 109 deputados e 54 senadores e seu líder, o ex-comediante Beppe Grillo, controla as rédeas sem ter de se submeter às normas parlamentares. Por outro lado, a geriátrica política italiana também mudará, pois tudo indica que a centro-esquerda passará às mãos de Matteo Renzi, o jovem prefeito de Florença de 38 anos, condenado neste ano a ser o secretário do Partido Democrata (PD) e possível futuro presidente do governo depois que a centro-direita ficou sem líderes de peso. EFE ccg/lvs/id

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