‘O que está em jogo não é o Irã. É o novo xadrez de poder no Oriente Médio’, diz especialista
Anúncio de encontro entre EUA e Irã após cessar-fogo expõe disputa por influência na região, avalia analista
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (29) que as delegações americanas e iranianas vão se encontrar na terça-feira (30), no Catar. Segundo ele, foram iranianos quem solicitaram a reunião. Essa informação foi negada por Teerã. O acordo se deu logo após Teerã e Washington terem concordado em interromper os ataques mútuos, que ocorreram após uma série de ofensivas trocadas durante o fim de semana.
De acordo com Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais na ESPM-SP, Donald Trump está “distante da realidade”, ao contrário dos iranianos. A situação atual revela que os 14 pontos estabelecidos no Memorando de Entendimento não eram claros o suficiente, devido à atuação da diplomacia americana.
O professor diz que, ao atravessar o estreito de Ormuz, deve-se aceitar os termos do Irã, que não são bem vistos pelos EUA. Para ele, de certa forma, ao discordar desse aspecto, o conflito se inicia, e isso está se tornando crucial para essa relação. Trevisan ressalta um aspecto fundamental: “Para o Irã, a guerra é uma necessidade. Para os Estados Unidos, isso é uma opção.”
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Segundo o especialista, os EUA têm consciência de que não podem prosseguir com a guerra, predominantemente por causa da inflação que o país está enfrentando; isso seria extremamente prejudicial para o projeto eleitoral do presidente norte-americano. Por outro lado, o parceiro dos Estados Unidos, Israel, não pode encerrar a guerra, pois, caso contrário, Netanyahu perderia as eleições.
De acordo com o especialista, a situação atual está se afastando do controle tradicional dos Estados Unidos, e essa mudança está sendo percebida pelo mundo inteiro. Ele sugere que é crucial questionar qual é o verdadeiro motivo por trás da insistência de Trump na guerra. Para ele, talvez a resposta seja “a manutenção do poder de Netanyahu, e não necessariamente uma vantagem americana”.
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