Alvo de disputa entre Argentina e Reino Unido, Ilhas Malvinas entraram no radar de Trump
Presidente americano afirmou que está reavaliando a posição oficial de Washington sobre o arquipélago; entenda o motivo
Internacional|Do R7
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira (31) que está reavaliando a posição oficial de Washington sobre as Ilhas Malvinas, arquipélago localizado no Atlântico Sul e controlado pelo Reino Unido. A declaração reacendeu uma disputa de soberania que envolve britânicos e argentinos há quase dois séculos e que levou os dois países a uma guerra em 1982.
Questionado por jornalistas no Salão Oval da Casa Branca sobre quem deveria exercer a soberania sobre as ilhas, Trump afirmou que costuma revisar as posições adotadas pelo governo americano. “Eu sempre reavalio todas as posições. Essa é apenas uma entre muitas”, disse. O presidente, porém, não explicou o que pretende mudar nem indicou se os Estados Unidos poderiam abandonar a posição de neutralidade que mantêm sobre a questão.
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As declarações chamam atenção porque a Argentina reivindica as ilhas e o governo de Javier Milei, aliado de Trump, tem intensificado a defesa da soberania argentina sobre o território. Uma eventual mudança na postura americana também já havia aparecido entre alternativas avaliadas pelo Pentágono para pressionar países aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em meio às divergências sobre a atuação dos parceiros dos EUA na guerra contra o Irã.
O governo britânico reagiu rapidamente. O ministro da Defesa, John Healey, afirmou que Londres não questiona a soberania sobre o arquipélago. “A posição do Reino Unido sobre as Ilhas Falkland é antiga e inabalável: elas são e continuarão sendo um Território Britânico Ultramarino, de acordo com os desejos dos habitantes das Falkland”, declarou.
O que são as Ilhas Malvinas?
As Ilhas Malvinas, nome utilizado pelos argentinos, ou Falkland Islands, como são chamadas pelos britânicos, são um arquipélago formado por centenas de ilhas e ilhotas, com duas principais: East Falkland e West Falkland. O território tem quase 12 mil km² e fica a aproximadamente 600 quilômetros da costa da Patagônia argentina.

Mais de 3.000 pessoas vivem no arquipélago, que possui uma base militar britânica e uma economia ligada principalmente à pesca e à criação de ovinos. A região também desperta interesse por seu potencial de exploração de petróleo e gás.
A localização das ilhas ajuda a explicar sua importância estratégica. O arquipélago está em uma área do Atlântico Sul próxima às rotas marítimas que conectam o continente sul-americano ao extremo sul do oceano, além de estar relativamente perto da passagem entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
A disputa, contudo, vai além da posição geográfica. Argentina e Reino Unido apresentam versões diferentes sobre a origem de seus direitos sobre o território.
Por que Argentina e Reino Unido disputam as ilhas?
A Argentina sustenta que herdou da Espanha os direitos sobre as ilhas após sua independência e que, durante a década de 1820, passou a exercer controle sobre o arquipélago. Em 1829, o governo argentino chegou a nomear um governador para as Malvinas.

O Reino Unido contesta essa versão e afirma que sua reivindicação é anterior. Segundo os britânicos, o país estabeleceu uma presença nas ilhas no século 18 e retomou o controle do arquipélago em 1833, quando expulsou as autoridades argentinas que estavam no local.
Desde então, a Argentina mantém a reivindicação de soberania. A questão ganhou espaço também na Organização das Nações Unidas (ONU), que, em 1965, reconheceu a existência da disputa e pediu que os dois países buscassem uma solução negociada.
O próprio nome utilizado para o território é parte da história da disputa. “Malvinas” deriva de “Malouines”, denominação dada pelos franceses que se estabeleceram na região no século 18. Já “Falkland” está ligado ao nome dado por navegadores britânicos ao estreito que separa as duas principais ilhas.
A Guerra das Malvinas

A disputa chegou ao conflito armado em 1982. Em 2 de abril daquele ano, durante a ditadura militar argentina, tropas do país desembarcaram nas ilhas e assumiram o controle de Port Stanley, chamada de Puerto Argentino pelos argentinos.
O Reino Unido, então governado pela primeira-ministra Margaret Thatcher, enviou uma força militar para recuperar o território. Os Estados Unidos apoiaram os britânicos durante o conflito, em razão da aliança entre Washington e Londres.
A guerra durou 74 dias e terminou em 14 de junho de 1982, com a rendição das forças argentinas. Cerca de 650 militares argentinos e 255 britânicos morreram, além de três moradores das ilhas.
A derrota teve consequências políticas profundas na Argentina e contribuiu para o enfraquecimento da ditadura militar, que deixou o poder no ano seguinte.
Por que Trump mencionou as Malvinas agora?
A fala de Trump ocorre em um momento de aproximação entre o presidente americano e Javier Milei. O presidente argentino transformou a reivindicação pelas Malvinas em uma das bandeiras de sua política externa e defende que Buenos Aires retome negociações com Londres sobre a soberania do arquipélago.

A questão também ganhou novo peso nas relações entre Trump e o Reino Unido. Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente americano passou a adotar uma postura mais crítica em relação a antigos aliados em diferentes temas.
Apesar disso, ainda não está claro se a declaração representa uma mudança efetiva na política americana. Historicamente, os Estados Unidos procuram manter uma posição de neutralidade sobre a soberania das ilhas, evitando apoiar explicitamente a Argentina ou o Reino Unido.
Para Londres, a questão também é considerada encerrada do ponto de vista dos habitantes do arquipélago. Em um referendo realizado em 2013, a população das ilhas votou de forma amplamente favorável à permanência como território ultramarino britânico.
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