Obama diz estar "exasperado" pela paralisação da Administração federal
Internacional|Do R7
Washington, 2 out (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se declarou "exasperado" pela falta de acordo que levou à paralisação da administração federal e alertou que Wall Street "deveria estar preocupado" pelas consequências econômicas isso que terá, em entrevista a emissora "CNBC" "Certamente estou exasperado, porque isto é completamente desnecessário. Estou exasperado com a ideia que, a não ser que eu diga a 20 milhões de pessoas que não podem ter cobertura de saúde, se referindo a manobra dos republicanos para barrar a reforma da saúde, aprovada em 2010. O presidente disse que durante seus mandatos se desdobrou para trabalhar com o partido republicano em muitos assuntos e que "rebaixou" sua retórica liberal "de propósito". Para Obama "Wall Street e os empresários de todo o país podem ter uma influência" para evitar que o governo alcance o teto da dívida (estimado pelo Fed, o banco central americano, para 17 de outubro). É "importante que reconheçam que isto vai a ter um profundo impacto na economia, em seus empregados e seus acionistas a não ser que vejamos outra atitude de parte dessa facção no Congresso". "Acho que sou conhecido por ser um tipo tranquilo. Às vezes o povo acredita que sou tranqüilo demais", afirmou, em referência às negociações com a bancada republicana. "Portanto se (o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano) John Boehner, tomada a decisão de levar ao plenário uma proposta de lei, e votam para garantir que não haja uma suspensão (de pagamentos), estarei preparado para ter uma negociação razoável sobre muitos temas", acrescentou. Ressaltou que está disposto a negociar e a discutir sobre como pode funcionar melhor a reforma da saúde, mas não vai "fazê-lo sob ameaça" de manter fechado o governo. "Isso manteria o governo aberto dois meses, mas estaríamos outra vez no mesmo ponto no Natal, e de novo em seis meses", apontou. "Temos que romper este ciclo constante de governar de crise em crise", assinalou em referência ao hábito do Congresso de só aprovar medidas orçamentárias de curta duração. A administração federal dos EUA está parcialmente paralisada desde a madrugada de terça-feira por causa da falta de acordo no Congresso para aprovar fundos para o novo ano fiscal, que começou a 0h do dia 1º de outubro. A ala mais conservadora dos republicanos, fundamentalmente o movimento Tea Party, procura condicionar esse financiamento a atrasos na aplicação da reforma da saúde, intenção rejeitada pelos democratas e pelo próprio Obama. "O único que está evitando (que se resolva esta situação) é que John Boehner não foi capaz de dizer 'não' a uma facção do partido republicano que está disposta a queimar a casa por uma obsessão com minha iniciativa no (setor da) saúde", lamentou Obama. Perguntado pela relativa calma com a qual Wall Street está reagindo à crise fiscal, o líder replicou que os empresários do país "deveriam estar preocupados", porque este não é "um dos desacordos frequentes" entre democratas e republicanos. "Acho que desta vez é diferente", destacou. "Isto pode ter um impacto na vida das pessoas". EFE llb/cd










