Obama e Rohani têm conversa histórica para avançar em acordo nuclear no Irã
Internacional|Do R7
Miriam Burgués. Washington, 27 set (EFE).- Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e do Irã, Hassan Rohani, tiveram nesta sexta-feira uma conversa histórica, a primeira entre os líderes dos dois países desde 1979, sobre o programa nuclear iraniano, o que encoraja as expectativas de um possível acordo global. Enquanto Obama anunciou em um pronunciamento na Casa Branca que acabara de falar com Rohani por telefone, o líder iraniano fazia o mesmo em sua conta no Twitter. "Discutimos os esforços para chegar a um acordo sobre o programa nuclear do Irã. Reiterei ao presidente Rohani o que disse em Nova York: embora certamente tenhamos grandes obstáculos para avançar e o sucesso não esteja absolutamente garantido, acho que podemos chegar a uma solução integral", explicou Obama. A confiança em um acordo pressupõe um giro de 180 graus na posição americana, embora Obama tenha admitido estar "consciente de todos os desafios que se aproximam". No Twitter, Rohani destacou que durante sua conversa tanto ele como Obama demonstraram "vontade política" em resolver "rapidamente" o conflito sobre o programa nuclear iraniano, que segundo os EUA e aliados ocidentes tem fins militares, acusação negada pelo Irã. "Se tivermos progressos no assunto nuclear, outros temas como o da Síria certamente serão afetados positivamente", escreveu Rohani. Segundo funcionários iranianos, a conversa aconteceu enquanto Rohani estava a caminho do aeroporto antes de abandonar Nova York, onde participou da Assembleia Geral da ONU. Os dois líderes falaram em torno das 14h30 (hora de Washington, 15h30 em Brasília), durante cerca de 15 minutos e mediante um intérprete. A Casa Branca ofereceu esta semana realizar "um encontro" informal entre Obama e Rohani paralelamente à Assembleia da ONU, mas os iranianos responderam que era "muito complicado" para eles neste momento concretizar essa reunião, sobretudo pelas possíveis repercussões no Irã. Depois dessa tentativa frustrada de reunir os dois presidentes, a Casa Branca foi informada hoje que Rohani desejava falar com Obama antes de deixar Nova York. O tom da conversa foi "bastante cordial". Obama se despediu em farsi e Rohani o fez em inglês, contou um alto funcionário americano. Além do programa nuclear iraniano, que ocupou a maior parte do diálogo, Obama expressou também sua preocupação pelos três cidadãos americanos presos no Irã. A Casa Branca acredita que os "resultados positivos" da reunião de ontem em Nova York entre Irã e o grupo "5+1" (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido mais Alemanha) puderam aplanar o caminho para a conversa de hoje entre Obama e Rohani. Funcionários americanos insistiram que a "essência" das negociações nucleares com o Irã deve acontecer em nível ministerial e no seio do "5+1", que voltará a se reunir em Genebra em 15 de outubro. O governo de Obama manteve "contato" tanto com Israel, o principal aliado de EUA no Oriente Médio, como com os líderes do Congresso sobre o telefonema trocado com Rohani. Em todo o processo de diálogo com o Irã "estaremos em estreito contato com nossos amigos e aliados na região, incluindo Israel", esclareceu Obama, às vésperas de receber, nesta segunda-feira, na Casa Branca o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. EFE mb/cd











