Öcalan, líder do PKK: de maior inimigo da Turquia a esperança para a paz
Internacional|Do R7
Ilya U. Topper. Diyarbakir (Turquia), 21 mar (EFE).- Abdullah Öcalan, líder histórico do nacionalismo curdo na Turquia, fez nesta quinta-feira uma aposta pela paz e pelo fim da luta armada contra o Estado turco, 14 anos após ter sido preso e condenado à morte, uma pena que depois foi comutada para prisão perpétua. Öcalan fundou o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, classificado como terrorista por União Europeia e Estados Unidos) em 1978 e comandou a luta armada em seu exílio na Síria entre 1984 e 1998. Hoje, aos seus 63 anos, não perdeu o comando sobre a guerrilha curda. Uma clara demonstração de seu poder é sua participação nas atuais conversas de paz entre a Turquia e o PKK que se desenvolvem há algumas semanas. "Liberdade para Öcalan, paz para a Turquia" é, há algum tempo, uma proposta de vários setores curdos que não estão dispostos a contemplar um acordo com o governo turco que não envolva a libertação, ou pelo menos a prisão domiciliar, do líder do PKK. Mesmo que o uso da imagem de Öcalan, conhecido como "Apo" (tio), possa ser considerado como uma "apologia ao terrorismo", sua fotografia e o slogan "Nosso líder é Apo" são uma constante em todas as manifestações pela causa curda. Sua imagem também é bastante presente durante as festividades do Newroz, agora no mês de março, na qual o Partido Paz e Democracia (BDP), que representa os curdos no Parlamento, divulga a frase "Liberdade para Öcalan, Estatuto curdo", como base para uma paz negociada que leve ao desarmamento do PKK. Para a Turquia, pelo contrário, o nome de Öcalan esteve durante anos associado com o do inimigo número 1 do Estado. O líder curdo foi descrito como um "assassino de bebês" sem escrúpulos. De forma paradoxal, um dos homens mais odiados pela opinião pública turca é agora uma esperança para pôr fim a quase três décadas de violência. Öcalan nasceu em 1949 em uma aldeia da província Sanliurfa no sudeste da Turquia, com a maioria da população de origem curda, e teve contato com os movimentos esquerdistas no início dos anos 1970, quando estudava em Ancara. Em 1978 fundou na província de Diyarbakir, no sudeste da Turquia, um grupo esquerdista que se propôs a lutar pelos direitos dos curdos e que seis anos mais tarde, em agosto de 1984, cometeu seu primeiro ataque contra as forças do Estado. Öcalan dirigiu com mão de ferro o PKK desde a sua fundação e foi o mentor do assassinato de vários companheiros por temer que pudessem questionar sua liderança absoluta, segundo denúncias de alguns dissidentes da organização. Foi expulso da Síria em 1998, por pressões da Turquia, e detido por agentes turcos no Quênia em 1999, quando foi transferido para a prisão de Imrali em uma ilha no Mar de Mármara, nas proximidades de Istambul. "Apo" foi condenado à morte, uma pena que, pouco depois, foi comutada para prisão perpétua. Durante mais de uma década, o contato do preso solitário Öcalan com o mundo exterior foi pequeno, e só ocorreu através de seus advogados, que muitas vezes foram acusados de servirem à causa guerrilheira. Mas sua imagem como herói da causa não diminuiu entre a população curda e a atual cúpula do PKK, entrincheirada nos montes do norte do Iraque, que sempre reconheceu sua liderança. Apesar de as conversas de paz incluírem os dirigentes da guerrilha em atividade, ninguém duvida que uma palavra de Öcalan pode garantir ou acabar com toda a negociação. É por isso que o seu apelo feito hoje é considerado um passo fundamental para acabar com 29 anos de conflito armado. EFE iut/rpr












