Os "ex-", sempre no centro do cenário político latino-americano
Internacional|Do R7
Bogotá, 17 out (EFE).- Pela justiça ou por investigações parlamentares, pelo afã de protagonismo, porque querem voltar ao poder, por seu peso político ou simplesmente porque não se acostumam a não mandar, os ex-presidentes latino-americanos raras vezes deixam de estar na cena política de seus países. Um exemplo é Alberto Fujimori, que governou o Peru durante dez anos (1990-2000) e cumpre pena de mais de 30 anos de prisão por violações de direitos humanos e por corrupção. Fujimori devia comparecer nesta quinta-feira a um tribunal para o início de um novo julgamento, desta vez acusado de "comprar" com dinheiro do Estado a linha editorial de um grupo de jornais quando era presidente, mas teve uma crise de hipertensão e a audiência precisou ser suspensa. Nos últimos tempos Fujimori, principalmente, deu o que falar por problemas de saúde e porque seus filhos pediram sem sucesso ao presidente Ollanta Humala que concedesse um indulto humanitário. O cubano Fidel Castro, que delegou o poder a seu irmão Raúl Castro em 2006, por causa de uma grave doença intestinal, quase não a parece em público, mas quando acontece torna-se um acontecimento nacional e os artigos jornalísticos que publica de vez em quando ressoam em Cuba e no exterior. O venezuelano Hugo Chávez, que nunca chegou a ser "ex-" de fato, pois morreu sendo presidente, segue onipresente na Venezuela após sua morte em março. O governo de seu sucessor, Nicolás Maduro, que não precisa conviver com quase nenhum ex-presidente exceto o quase nonagenário e afastado da vida pública Jaime Lusinchi (1984-1989), rende culto a Chávez em todas suas atividades. Na Colômbia os ex-presidentes são uma instituição e há muitos, talvez porque a reeleição era poribida até 2004, quando foi aprovada uma reforma constitucional que permitiu a Álvaro Uribe obter nas urnas um segundo mandato. César Gaviria, Ernesto Samper e Andrés Pastrana são os outros ex-presidentes colombianos vivos, mas Uribe é sem dúvida o que mais chama a atenção. Transformado no maior opositor do governo de Juan Manuel Santos, que em outros tempos foi seu afilhado, hoje não passa uma em suas várias publicações no Twitter, onde tem milhares de seguidores, sem contestar o atual presidente. Uribe é ainda objeto permanente de todo tipo de denúncias e acusações, desde ligações com paramilitares até conspirações para desestabilizar o governo venezuelano. Como não pode aspirar à Presidência de novo, já que a Constituição só permite uma reeleição, mas ainda tem muita popularidade, Uribe criou um movimento político para as eleições de 2014, que no entanto não definiu seu candidato. O antecessor de Fujimori no cargo, Alan García, está sob investigação do Congresso por supostos casos de corrupção durante seu segundo mandato (2006-2011) e outro ex-presidente peruano, Alejandro Toledo (2001-2006), é investigado também pelo legislativo por causa de denúncias de enriquecimento ilícito. Na Argentina, onde o antecessor da presidente Cristina Kirchner foi seu próprio marido, Néstor Kirchner, morto em 2010, outros líderes como Carlos Menem e Fernando de la Rúa têm também problemas com a justiça. A promotoria pediu seis anos de prisão para de la Rúa em um julgamento pelo suposto pagamento de subornos a senadores para aprovar uma lei quando era presidente, e Menem foi condenado em junho a sete anos de prisão por contrabando agravado de armas à Croácia e Equador entre 1991 e 1995, embora por sua condição de senador o permita evitar a prisão. Um caso que chama a atenção é o da Costa Rica, onde há dois ex-presidentes, Rafael Ángel Calderón (1990-1994) e Miguel Ángel Rodríguez (1998-2002), cumprindo pena por corrupção. No Uruguai os ex-presidentes Julio María Sanguinetti, Luis Alberto Lacalle, Jorge Battle e Tabaré Vázquez seguem tendo prestígio e peso na política do país. É dado por certo que Vázquez será o candidato da situação, a Frente Ampla, nas eleições de 2014. Uma situação parecida se dá no Chile, onde a ex-chefe de Estado chilena Michelle Bachelet lidera as pesquisas de intenções de voto para as eleições presidenciais de novembro. Na Bolívia vários dos ex-presidentes se declaram perseguidos pelo governo de Evo Morales, que acaba de pedir pela segunda vez aos EUA a extradição do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, por genocídio na modalidade de massacre sangrento. Lula é o exemplo perfeito do ex-presidente latino-americano que triunfou. No exterior não para de receber prêmios e distinções e continua sendo uma liderança carismática no país. O julgamento do mensalão, esquema de corrupção que condenou vários políticos próximos e ligados a seu governo e ao PT, não respingou nem afetou sua imagem. Um "ex-" que continua a buscar um lugar de protagonismo é Vicente Fox (2000-2006), o primeiro presidente do México não pertencente ao Partido Revolucionário Institucional em 70 anos, que criou um centro de opinião com seu nome e não teme se pronunciar sobre temas polêmicos, desde a descriminalização da droga ao papel de Chávez na unidade latino-americana. EFE ar/cd












