Pais dos 43 jovens sequestrados exigem reunião com presidente do México
Internacional|Do R7
Cidade do México, 6 set (EFE).- Os pais dos 43 jovens desaparecidos há um ano no município mexicano de Iguala exigiram neste domingo uma reunião particular com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, e que o governo prorrogue indefinidamente o mandato dos especialistas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Em entrevista coletiva com a presença de parentes e colegas dos estudantes da Escola Normal Rural Isidro Burgos, de Ayotzinapa, os pais disseram que com o relatório apresentado hoje pelo Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI) da CIDH caiu o "teatro" montado pelo governo mexicano. "Ficou bem claro que o lixeiro de Cocula não foi mais que outro teatro do governo, outra mentira que na realidade nunca aconteceu. Sempre foi uma tortura para os 43 pais de família que ficamos pensando se tinha acontecido ou não", disse Mario César González, pai de um dos desaparecidos no dia 26 de setembro de 2014. Nesta manhã, após os seis meses de investigações sobre o caso, o GIEI apresentou as conclusões dos incidentes, denunciou várias irregularidades e negou, com base em uma prova pericial, que os jovens tenham incinerados no lixeiro de Cocula, como defendia a versão oficial. "Não é que não queremos aceitar, é que jamais houve evidências. Não podemos aceitar algo que não existe. São vidas humanas, são jovens inocentes, são nossos filhos que tiveram a dignidade pisoteada", apontou Emiliano Navarrete, outro dos pais. Os parentes que compareceram ao ato exigiram ser recebidos pelo presidente Peña Nieto antes do dia 10, a próxima quarta-feira. "Se o senhor presidente estiver nos assistindo vendo, quero que tenha a dignidade de dizer: 'quero falar com os pais', que mostre a cara diretamente a nós. Exigimos uma reunião com Peña Nieto, mas na presença dos especialistas independentes, e que eles tenham tempo indefinido até que se esclareçam as coisas", declarou. Esta foi a outra exigência dos pais, que o mandato dos especialistas seja prorrogado indefinidamente, até que se descubra o paradeiro dos estudantes. Segundo disse o porta-voz dos pais, Felipe de la Cruz, "o teatro caiu" e a "verdade histórica" do ex-procurador Jesús Murillo "foi ao chão para se tornar uma mentira histórica". De la Cruz afirmou que é necessário que Murillo e outros funcionários de seu gabinete sejam investigados por todas as negligências que possam ter cometido. O porta-voz também incentivou a sociedade mexicana a participar das atividades do aniversário do desaparecimento, no dia 26 de setembro, que começarão três dias antes com uma greve de fome de 43 horas, uma por cada um dos jovens desaparecidos. EFE pem/vnm (foto)












