Palestinos acusam Israel do assassinato de Arafat
Internacional|Do R7
Nuha Musleh. Ramala, 8 nov (EFE).- A Autoridade Nacional Palestina (ANP) continuará a investigar a morte de seu histórico dirigente, Yasser Arafat, para descobrir de que forma ele foi envenenado, após ter acusado Israel nesta sexta-feira por seu suposto assassinato. "É um compromisso com os palestinos, com a nação árabe, com Arafat e com todos os mártires", afirmou o presidente da comissão, Taufik Tirawi, em entrevista coletiva em Ramala durante a qual acusou o governo do então primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, pela morte de Arafat em 2004. A comissão oficial palestina advertiu, no entanto, que ainda deve investigar quem foi o responsável, e como aconteceu o envenenamento com polônio 210, material radioativo encontrado em quantidade 18 vezes superior ao normal no corpo do líder palestino. "Nós, como palestinos, acreditamos que o único e fundamental culpado pela morte de Yasser Arafat é Israel (...), no entanto, a instrumentalização é um grande mistério", disse. Também membro do Comitê Executivo do movimento Fatah, Tirawi rejeitou a possibilidade de uma morte natural. "Os relatórios da Rússia e da Suíça confirmam as conclusões da investigação em curso (...) Arafat não morreu de causas naturais nem por doença, o polônio foi o causador", ressaltou. A entrevista coletiva de hoje aconteceu após terem sido publicados oficialmente ontem os resultados dos testes efetuados no Instituto de Radiofísica Aplicada (IRA) da Suíça. O diretor do IRA, François Bochud, disse que os resultados são "coerentes" com a suspeita de assassinato. "Nosso resultado é mais coerente com um envenenamento, mas não podemos dizer que comprovamos que (Arafat) foi envenenado", disse à Agência Efe. "Tirawi garantiu que o comitê continuará a buscar as verdadeiras causas e as anunciará em breve ao povo", comentou. O presidente da comissão, que compareceu com outros dois membros do comitê, não acredita que Israel possa ter se valido de uma certa proximidade com o então líder palestino para consumar o envenenamento. Uma teoria sustentada pela viúva, Suha Arafat, divulgada no ano passado, é a de pessoas próximas tenham colocado polônio em sua comida ou bebida. Israel negou taxativamente que tenha algo que ver com o fato, e seus porta-vozes lembraram que em 2004 Arafat já não representava nenhuma ameaça porque "estava afastado" da vida política palestina. Além disso, destacaram que foi Israel que autorizou a saída de Arafat para que ele fosse até a França para receber tratamento médico. A comissão palestina também se queixou dos procedimentos seguidos pelo hospital Percy de Paris, onde o líder palestino ficou internado. "Por que os franceses destruíram as amostras (de análise, após a morte do líder)? Por que não realizaram uma investigação de tóxicos enquanto ele estava no hospital?", questionou Abdallah Bashir, médico chefe da comissão. Bashir insistiu que a atuação francesa nos dias posteriores à morte de Arafat, no dia 11 de novembro de 2004, gera dúvidas que devem ser solucionadas pela comissão, entre elas, "o porquê de não ter sido feita uma autópsia". Uma alegação que causa certa surpresa porque é a de que a própria viúva se opôs a este procedimento legal, em meio ao litígio que mantinha com dirigentes palestinos pelo controle de contas bancárias, que estavam em nome de Arafat, mas continham dinheiro do povo palestino. Bashir lamentou que a França não tenha entregado ainda os resultados de suas pesquisas, como os cientistas suíços e russos fizeram. A investigação francesa está relacionada com a denúncia apresentada pela viúva de Arafat, em julho do ano passado, perante um tribunal da cidade de Nanterre. O ministro palestino de Justiça, Ali Muhana, que também é membro da comissão, garantiu que todo o material legal necessário para a pesquisa já foi entregue à França, mas que seus responsáveis "não respondem aos pedidos palestinos". EFE nm-mss-elb/apc/ma (foto)











