Paquistão aceita libertar antigo número 2 do talibã afegão
Internacional|Do R7
Islamabad, 11 set (EFE).- As autoridades do Paquistão decidiram libertar o antigo número 2 no comando dos talibãs afegãos, Abdul Ghani Baradar, que está preso desde 2010, disse à Agência Efe nesta quarta-feira uma fonte do Ministério das Relações Exteriores paquistanês. A fonte afirmou que a decisão, solicitada pelo governo afegão para facilitar o processo de paz no país da Ásia Central, surgiu após uma conferência de segurança na segunda-feira passada em que participaram grandes partidos políticos paquistaneses. "Foi decidida a libertação, mas não foi especificado quando e se o detido será entregue ou não às autoridades afegãs", detalhou a fonte. A libertação de Baradar, que era considerado o número 2 da milícia afegã quando foi detido em uma operação das inteligências paquistanesa e americana, é vista por Cabul como um elemento que pode facilitar o diálogo entre a milícia e o governo. Segundo a imprensa local, o assunto da libertação foi tratado durante a visita do presidente afegão, Hamid Karzai, ao Paquistão no dia 26 de agosto. Os pedidos afegãos começaram a ter resultado no fim de semana passado com o anúncio de Islamabad da iminente libertação de sete milicianos detidos no Paquistão, que se juntam a outros 26 insurgentes afegãos libertados no final do ano passado. O Paquistão atendeu até agora, com muitas restrições, as reivindicações do governo do Afeganistão para a libertação dos talibãs afegãos que estão em prisões paquistanesas e, para o desgosto de Cabul, os libertados pelo Paquistão não foram entregues às autoridades do país vizinho. Segundo fontes oficiais citadas hoje pelo jornal local "Dawn", é provável que o mulá Baradar também seja posto em liberdade. Os talibãs afirmaram que a libertação de prisioneiros, após a visita de Karzai a Islamabad, é "um bom passo, mas não fornecerá nada para o processo de paz", segundo palavras de membros do movimento citadas pela agência afegã "AIP". "Inclusive, o mulá Baradar perdeu importância na atualidade", afirmaram as fontes da insurgência, que também disseram que, após sua passagem pela prisão, o antigo número 2 é "só mais um talibã". O processo de paz afegão está em ponto morto depois do fracasso da segunda iniciativa de diálogo, em julho deste ano, promovida pelos Estados Unidos no emirado do Catar, onde os talibãs abriram uma delegação oficial, mas as negociações não chegaram a acontecer. As tropas lideradas pela Otan no Afeganistão estão em processo de retirada desde 2011 e a saída total está prevista para 2014, quando a segurança do país ficará integralmente nas mãos das forças afegãs. EFE pmm/rpr












