Paquistão avança em democracia, mas não resolve crise econômica e terrorismo
Internacional|Do R7
P. Miranda. Islamabad, 19 dez (EFE).- Apesar de ter consolidado sua frágil democracia com novas eleições, o Paquistão afundou em 2013 na crise política pelo fracasso do novo Executivo em enfrentar o desafio terrorista e a aguda crise econômica. Em junho, um presidente civil deu lugar a outro depois de completar os cinco anos de mandato estipulados por lei, algo inédito nos 66 anos de história do país e que foi louvado pelos agentes sociais e políticos do país, além da comunidade internacional. O primeiro-ministro, Nawaz Sharif, herdou um país imerso em uma grave crise econômica, com a faca no pescoço, dividido entre a enorme dívida contraída com os organismos internacionais e um déficit energético que trava o crescimento e a agonizante indústria local. Em meio ano de gestão, o partido conservador Liga Muçulmana, de Sharif, mal pôde melhorar a situação, e os paquistaneses continuam a sentir duramente os efeitos da deterioração econômica. Apesar de a Liga Muçulmana ter arrasado nas eleições com um discurso baseado na recuperação econômica, o executivo reconheceu que qualquer possibilidade de reverter a crise passa por abordar a sangria terrorista e consolidar a estabilidade regional. Segundo dados divulgados recentemente pela Comissão de Direitos Humanos da Ásia, organização baseada em Hong Kong, entre janeiro e novembro mais de sete mil pessoas morreram no Paquistão em ataques de diversos tipos, um número não muito distante do registrado no Afeganistão. As tentativas do governo de negociar com a principal facção talibã, o Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), se chocaram com dúvidas internas, com as dissidências de insurgentes e com o empecilho dos "drones" dos EUA. Em 31 de outubro, no dia em que o Executivo anunciou o início iminente da negociação, o bombardeio de um avião acabou com a vida do líder do TTP, Hakimullah Mehsud, e deu fim à titubeante iniciativa de paz. Os bombardeios na região tribal paquistanesa por parte de aviões não tripulados americanos - prática que Washington se nega a suspender, tendo apenas reduzido sua periodicidade - se transformaram em uma arma pesada da oposição contra o governo. Os partidos opositores, especialmente o "PTI" do ex-jogador de críquete Imran Khan, acusam o executivo de Sharif de seguir a linha de seus antecessores e se submeter às necessidades de Washington sacrificando a soberania do país e a vida de civis paquistaneses. Os bombardeios americanos, cerca de 20 este ano, com quase 140 mortes, continuam a ser o principal ponto de discórdia nas relações entre Islamabad e Washington, que voltaram a alguma normalidade após dois anos de muita tensão. Com relação ao Afeganistão, as autoridades paquistanesas tiveram o trunfo da mediação no processo de paz no país vizinho, que entrou numa fase decisiva com o horizonte da retirada definitiva das tropas aliadas em 2014. A pedido de Cabul, o governo de Sharif aceitou a libertação de membros dos talibãs afegãos presos em prisões paquistanesas, incluindo seu antigo número dois, o mulá Abdul Gani Baradar, para facilitar o início do diálogo. No flanco oriental, Sharif lançou em seus primeiros dias de governo mensagens conciliadoras para o tradicional inimigo, a vizinha Índia, mas as tensões fronteiriças congelaram os tímidos avanços bilaterais iniciados no ano anterior. Diversas escaramuças na disputada região da Cashemira, reivindicada pelos dois países, provocaram a morte de soldados dos dois lados e a escalada da tensão entre dois países que são inflamados rivais desde seu nascimento em 1947. Tanto as negociações de paz com a insurgência local como os movimentos de aproximação com a Índia foram vistos com receio pelo grande poder do país, o exército, a instituição mais forte do país e que também está em fase de renovação. No final de novembro, o chefe das Forças Armadas desde 2007, Ashfaq Pervez Kiyani, passou o cargo ao general Rahil Sharif, visto por analistas locais como uma boa opção para garantir uma comunicação fluente entre o exército e o executivo. As relações entre o exército e as instituições civis viveram em 2013 uma prova com a volta ao Paquistão do ex-general golpista Pervez Musharraf, que se tornou no primeiro ex-chefe das Forças Armadas detido e acusado de traição nos tribunais. Agora em liberdade condicional, Musharraf enfrenta várias acusações por sua gestão à frente do país entre 1999 e 2008 e é proibido de sair do país, questões perante as quais a instituição militar guardou até agora um respeitoso silêncio. EFE pmm/cd/id













