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Paraguai vai às urnas escolher novo presidente dez meses após impeachment de Lugo

Paraguaios devem colocar no poder um milionário conservador ou um senador liberal

Internacional|Do R7, com AFP

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Senador Alegre (à esq.) ou o milionário Cartes (à dir.) devem faturar eleição
Senador Alegre (à esq.) ou o milionário Cartes (à dir.) devem faturar eleição

Os paraguaios vão às urnas neste domingo (21) para escolher o novo presidente do país. A aguardada eleição deve marcar o fim de uma crise política iniciada há dez meses, após uma operação-relâmpago no Congresso que provocou o impeachment do esquerdista Fernando Lugo e levou os liberais ao poder.

Os locais de votação estão abertos desde às 7h (hora local, 8h em Brasília). No total, 3,5 milhões de paraguaios devem votar nas mais de 17 mil seções eleitorais, que permanecerão abertas até as 16h (17h em Brasília). Os resultados preliminares devem ser divulgados às 20h (21h em Brasília).


Mais de 300 observadores estrangeiros e 1.200 nacionais supervisionarão as eleições, incluindo representantes do Mercosul e da Unasul, fóruns regionais dos quais o Paraguai foi suspenso após a destituição de Lugo.

O ex-presidente e ex-padre católico, destituído em junho de 2012 por um julgamento político sumário por "mau desempenho de suas funções", após um conflito de terras que deixou 17 mortos, é candidato ao Senado.


Principais candidatos

Com a eleição do sucessor de Federico Franco, que assumiu após o julgamento político que tirou Lugo do poder em junho passado, o Paraguai, quarto maior exportador de soja do mundo e décimo de carne, busca a normalização institucional depois de ter sido suspenso do Mercosul e da Unasul pelos aliados políticos do ex-mandatário.


Segundo todas as pesquisas, a disputa ficará entre o milionário Horacio Cartes, de 56 anos, novato na política e que se apresenta como a renovação do Partido Colorado, que governou o país de 1947 a 2008, e o senador governista Efraín Alegre, de 50, que busca consolidar os liberais no poder. A esquerda, dividida em dois grandes grupos desde a queda de Lugo, luta para ser a terceira força.

Em um país amplamente marcado pela corrupção, pela pirataria e pela impunidade, e conhecido como o segundo maior produtor mundial de maconha e rota da cocaína boliviana, a campanha eleitoral foi marcada por uma intensa troca de insultos e por referências à "narcopolítica", assim como pelo desvio de recursos estatais.


Cartes, conhecido por suas conquistas à frente de um grupo de 25 empresas e como presidente do clube de futebol Libertad, é um 'outsider' da política que se filiou ao Partido Colorado em 2009 e votou pela primeira vez em sua vida um ano depois.

O bem-sucedido empresário assegura que não só será capaz de levar os colorados de volta ao poder, do qual foram retirados em 2008 por Lugo depois de 61 anos ininterruptos, como diz ser o mais bem preparado para captar investimentos e combater a pobreza, que, segundo a Cepal, aflige 49,5% da população.

"Se Deus me deu habilidades na vida empresarial, acredito ter condições para usar essas habilidades na política", disse Cartes, um homem divorciado com três filhos que se apresenta como um pai para todos os jovens paraguaios.

Já Alegre, um advogado que se define como de centro-esquerda e que militou desde muito jovem contra a ditadura do general Stroessner (1954-1989), tem como principal bandeira o combate à pobreza, principalmente no campo, onde se concentra 85% da indigência. Para isso, ele promete criar cerca de 200 mil postos de trabalho por ano.

Apoiado por uma aliança com colorados dissidentes e com os seguidores do caudilho Lino Oviedo, falecido em fevereiro em um acidente de helicóptero durante sua campanha, Alegre, casado e pai de quatro filhos, disse representar o "Paraguai decente contra o Paraguai das máfias" e acusa seu rival de ligações com o narcotráfico.

Cartes "é a reafirmação do modelo do contrabando, da máfia, da pirataria", disse Alegre à AFP.

Entre os colorados, os liberais são chamados de "quadrilha de ladrões", responsáveis pelo desvio de cerca de R$ 50 milhões (US$ 25 milhões), na época em que Alegre era ministro de Obras Públicas.

A esquerda, separada da aliança com os liberais que levou Lugo ao poder, se apresenta em dois grandes grupos: a Aliança País, uma união de formações democrata-cristãs e correntes marxistas históricas, e a Frente Guasú (FG, Frente Grande, em guarani), que reúne movimentos socialistas ruralistas liderados por Lugo.

O ex-presidente e ex-bispo católico de San Pedro, um dos departamentos (Estados) mais pobres do país, foi destituído pelo Congresso no dia 22 de junho de 2012 por "mal desempenho de suas funções" após um conflito de terras em Curuguaty, 250 km a nordeste de Assunção, que deixou 17 mortos.

No momento, como primeiro candidato ao Senado pelo FG, Lugo, para quem o processo que o derrubou do poder foi um "golpe parlamentar" de liberais e colorados, acredita que a esquerda se consolidará como a terceira força parlamentar e chegará ao poder em 2018.

Pela primeira vez, cerca de 22 mil paraguaios que vivem em Estados Unidos, Argentina e Espanha poderão votar.

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