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Paris diz que estudante cigana expulsa poderá voltar à França, mas sozinha

Segundo uma pesquisa publicada neste sábado pelo jornal Le Parisien, 65% dos franceses se opõem à volta de Leonarda e sua família

Internacional|Do R7

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O presidente francês, François Hollande, anunciou neste sábado (19) que Leonarda, a estudante cigana expulsa para o Kosovo, poderá voltar à França para manter seus estudos, se assim solicitar, mas só poderá ir sozinha, sem sua família.

"Se Leonarda solicitar, levando em conta as circunstâncias, e quiser continuar com seus estudos na França, será recebida", afirmou Hollande em um pronunciamento no Palácio do Eliseu.


Hollande disse ter tomado essa decisão por uma questão humanitária, já que a expulsão da família cigana não violou qualquer lei. O presidente, no entanto, indicou que serão dadas instruções para que seja proibida a prisão de imigrantes que estejam estudando.

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Com isso, o presidente francês deixou o seu silêncio em relação ao assunto, em uma tentativa de contornar uma polêmica que envolve a política migratória de seu governo e causou manifestações entre os jovens franceses.


Hollande baseou sua decisão no relatório do Ministério do Interior publicado neste sábado, que indica que a expulsão de Leonarda ocorreu "em conformidade com a legislação em vigor".

No entanto, o texto destaca que as forças de ordem não tiveram "o discernimento necessário" para deter a adolescente durante uma excursão escolar.


Ao saber da declaração de Hollande, Leonarda Dibrani, afirmou à AFP que não pretende voltar à França sem sua família.

"Não irei sozinha para a França, não abandonarei minha família. Não sou a única que quer ir ao colégio, também tem meus irmãos e irmãs", declarou Leonarda, de 15 anos.

O pai de Leonarda, Resat Dibrani, considerou o relatório emitido pelo Ministério do Interior "uma catástrofe".

"Até agora tinha sido duro, mas isso é uma catástrofe. Não nos renderemos. Meus filhos estavam integrados na França. Vamos continuar lutando porque aqui (no Kosovo), meus filhos são estrangeiros", declarou à AFP.

Na véspera, milhares de pessoas voltaram a protestar em várias cidades da França para exigir a volta ao país da jovem cigana e de outro imigrante em situação que foram expulsos do país, uma decisão que divide o governo de esquerda.

A detenção em 9 de outubro, durante uma excursão escolar, de Leonarda Dibrani, desencadeou no país a polêmica sobre o tratamento dado a essa minoria na França e abalou a unidade nas fileiras do Partido Socialista, de Hollande, que conta com os piores níveis de popularidade de um chefe de Estado francês desde 1996.

Além da jovem cigana, os estudantes exigem a volta à França de Khashik Kashatryan, um armênio de 19 anos deportado no sábado passado.

O caso ganhou repercussão através das redes sociais, que foram inundadas de mensagens contra o governo, em particular relacionadas ao ministro do Interior, Manuel Valls.

Alvo de duros ataques, alguns membros do próprio partido acusam Valls, filho de imigrantes espanhóis, de fazer uma política de direita em termos migratórios.

Mas Valls continua valendo-se da alta popularidade de que goza, algo que não acontece com o presidente nem o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault.

Segundo uma pesquisa publicada neste sábado pelo jornal Le Parisien, 65% dos franceses se opõem à volta de Leonarda e sua família. E 75% aprovam a posição do ministro neste assunto.

Expulsa junto com o restante de sua família para Mitrovica, no Kosovo, Leonarda Dibrani deu inúmeras entrevistas à imprensa francesa para contar sua história e implorar que a deixem voltar para a escola na França.

Resat Dibrani, de 47 anos, por sua vez, tem uma ficha criminal de delitos menores e violência doméstica.

Os professores do colégio onde Leonarda e uma de suas irmãs estudavam se disseram consternados com os métodos utilizados pelo governo para expulsar as crianças da comunidade cigana, levando-as para países estranhos a elas e com idiomas que não conhecem.

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