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Paris vive momentos de tensão e militares voltam às ruas após 53 anos

Em depoimento ao R7, jornalista francês fala sobre clima na capital francesa

Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

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Paris está cheia de soldados e população procura manter rotina
Paris está cheia de soldados e população procura manter rotina

O empresário de comunicação Mickey Zlotowski, ex-correspondente do The Jerusalem Post em Paris, já acompanhou importantes acontecimentos históricos na França. Lembra-se dos ataques terroristas da milícia consevadora OAS (Organização do Exército Secreto), no início dos anos 60, contra a independência da Argélia. 

Acompanhou a ascensão e o fim do governo De Gaulle, vendo o presidente se reeleger após a revolta estudantil em 1968. E, aos 67 anos, ele afirma que, neste momento, Paris, a cidade que mais recebe turistas no mundo, está atônita. Há 53 anos ele não via a capital francesa tão tensa, repleta de soldados, em um momento difícil vivido pela França, conforme conta ao R7.

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"A cidade onde moro, Paris, está atônita com os acontecimentos na França. Como muitos no país, os parisienses se sentem incomodados com essa situação e se perguntam permanentemente o porquê de a França estar passando por um momento de permanente ameaça terrorista. 

Não que o parisiense tenha mudado sua rotina. As pessoas continuam saindo normalmente às ruas, frequentando os bares, as universidades e as atrações locais. Mas eles não entendem ainda como a França chegou a esta situação de ser um alvo praticamente permanente do terrorismo.

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Pelo metrô, é comum a população esbarrar em dezenas de soldados. Toda escola e instituição judaica tem pelo menos três homens do exéricito fazendo a segurança permanente. Mesquitas e instituições muçulmanas também. Quem é jovem em Paris jamais tinha visto situação similar. A juventude na França nunca havia visto antes soldados na rua.

Se a população se pergunta o que está acontecendo, posso dizer que as autoridades também. A França está muito atrás na luta contra o terrorismo. Há poucos especialistas em inteligência para este setor. 

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É como se o país estivesse sendo pego desprevenido neste ano de 2015, que já se iniciou com os atentados ao jornal Charlie Hebdo e ao mercado judaico que deixaram um total de 17 mortos. O episódio desta sexta-feira, com a morte de mais um francês (próximo a Lyon) mostra que o problema está longe de acabar.

Muitos fatores têm colocado a França como alvo. Um deles é o fato de o governo ainda ter de lidar com problemas com ex-colônias. O fato de a França ainda estar com soldados em Mali, combatendo milícias radicais, a coloca, na visão dos extremistas, como inimiga do Islã.

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Esta é uma guerra complicada. O estado não tem conseguido fazer muita coisa contra o terrorismo. Está difícil evitar estes atentados, são pessoas isoladas que os cometem e não se tem ideia de quando e como eles irão agir.

Fico triste pelo fato de a solidariedade não prevalecer no país neste momento. As manifestações de janeiro foram mais algo contra o atentado ao Charlie Hebdo, que abalou a sensação de liberdade da população.

ONU condena atentados terroristas na Tunísia, Kuwait e França 

Em relação ao ataque ao mercado judaico, pouco se falou. Há três anos, um terrorista atacou uma escola judaica em Toulouse, matando um professor e duas crianças e não houve manifestação alguma. Tal indiferença me incomoda, contra qualquer comunidade. Se isso não mudar a situação tende a ficar ainda mais complicada."

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