Partido dos Trabalhadores (PT) vai governar o Brasil nos próximos quatro anos
Internacional|Do R7
Por Llorente y Cuenca. Eleita por pequena margem, Dilma Rousseff promete diálogo. Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores de centro-esquerda (PT), foi reeleita presidente do Brasil na votação do segundo turno, no último domingo, 26 de outubro, por uma estreita margem de votos naquele que foi apenas o sétimo pleito direto para eleger o presidente do país desde a redemocratização, em 1989. Foi a terceira vez que os brasileiros reelegeram um presidente, em uma das eleições mais apertadas que o país já viu. Dilma obteve 54,5 milhões de votos (51,64% dos votos válidos). Seu adversário, Aécio Neves, do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) de centro-direita, ganhou 51 milhões de votos (48,36%), o melhor desempenho da oposição desde que o PT chegou ao Palácio do Planalto, em Brasília, em 2002. A vitória esmagadora no Nordeste fez a diferença para a candidata do PT, que perdeu em três das outras cinco regiões. No primeiro turno, Dilma recebeu 43.268.000 votos, ou 41,6% do total, enquanto 34,897 milhões (33,5%) votaram em Aécio. No início da campanha do segundo turno, três semanas atrás, Dilma estava em segundo lugar nas pesquisas. A situação mudou sete dias antes da votação quando as pesquisas mostraram a presidente à frente de Aécio por quatro pontos percentuais. De acordo com uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha um dia antes do pleito, Dilma tinha 52% das intenções de voto, e Aécio, 48%. Durante a maior parte do segundo turno, os dois permaneceram perto dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Vitória apertada do PT fortalece a oposição. A oposição derrotada, liderada pelo PSDB, deixou claro que está pronta para adotar uma postura mais proativa contra o governo. Ela planeja adotar um perfil mais organizado no novo Congresso em 2015 para enfrentar a vantagem numérica da coalizão de governo. Embora ainda em desvantagem, a oposição vai usar o Senado como seu principal campo de batalha político. Com sua derrota, Aécio Neves está de volta ao Senado e agora vai visar a presidência do PSDB, em uma posição reforçada após a grande votação alcançada no dia 26 de outubro. Analistas políticos acreditam que Aécio tem que adotar uma oposição mais combativa ao governo para se qualificar antes de concorrer à presidência novamente em 2018. Fortes emoções nos mercados. Como resultado da reeleição da presidente Dilma, o Ibovespa, índice da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) começou o dia na segunda-feira com uma queda de 6%, para 48.820 pontos, e o real registrou uma queda de 3% em relação ao dólar, a R$ 2,50. O Banco Central anunciou que vai agir nos próximos dias para tentar evitar uma forte desvalorização da moeda. Apenas dois dias antes da eleição, o banco UBS divulgou um relatório dizendo que, com Dilma reeleita, o Ibovespa irá oscilar entre 48 mil e 50 mil pontos, e o dólar ficará em torno de R$ 2,70. Atualmente, o índice está em torno de uma média anual de 53.000. Mas, de acordo com analistas, o índice pode mostrar uma tendência ascendente com Dilma se ela escolher para Ministro das Finanças um nome próximo do coração do mercado financeiro. O jornal "Folha de S.Paulo" disse nesta segunda-feira que Luiz Trabuco, presidente do Bradesco, segundo maior banco do país em ativos totais, está sendo procurado por Dilma para ser o ministro das Finanças, em seu novo governo. De acordo com as regras do Bradesco, Trabuco vai se aposentar no próximo ano, com a idade de 65 anos. Trabuco teria a capacidade de acalmar os mercados financeiros, que são claramente contra o presidente reeleito. Ratings da Petrobras caem. Cinco dias antes da eleição presidencial, a agência de classificação Moody's decidiu reduzir a nota da Petrobras, a maior empresa estatal do Brasil. A nota mede a capacidade de uma empresa de pagar suas dívidas e serve como um guia para os investidores. Em comunicado, a Petrobras disse que sua nota de investimento - o que significa uma designação de bom pagador - foi mantida. A Petrobras foi rebaixada de Baa1 para Baa2, considerada médio, e recebeu um outlook negativo (um novo rebaixamento pode ocorrer). Para perder a classificação de investimento, a empresa precisava cair mais dois graus: Baa2 e Baa3. A razão para o rebaixamento foi o alto nível de endividamento da empresa estatal, que a torna mais difícil de gerir, com a queda dos preços do petróleo. Para a agência, a capacidade de a Petrobras honrar sua dívida piorou nas últimas semanas, depois que o petróleo caiu e atingiu seu menor preço em quatro anos. A Moody's disse que apenas "bem depois" de 2016 a Petrobras será capaz de reduzir sua dívida, o que contraria as expectativas iniciais da agência. A dívida líquida da Petrobras é de US$ 108 bilhões - aumentando US$ 9 bilhões em três meses. Inflação para cima e acima da meta. Dilma terá enormes problemas no campo político para unir um país que saiu dividido pela vitória eleitoral apertada. Mas esses problemas não são mais fáceis do que o que ela enfrenta no campo econômico. Ela tem que reconquistar a confiança dos empresários e do mercado financeiro para estimular investimentos e lutar contra a estagnação econômica. O PIB crescerá apenas 0,3% neste ano, e a inflação anual de 6,75% está acima da meta oficial. Mesmo se ele se moderar um pouco, é alto o risco de que passará os 6,5% do limite superior da meta de inflação em 2014 (2,5% para 6,5%). Isso reduziu o espaço para um corte nas taxas de juros à luz do desempenho econômico fraco. Homem mais rico de Portugal aumenta apostas no setor financeiro brasileiro. Américo Amorim, o homem mais rico de Portugal segundo a Forbes, tem reforçado seus investimentos no setor financeiro no Brasil. Empresário e banqueiro em seu país, o Sr. Amorim investiu R$ 30 milhões no banco Luso Brasileiro para aumentar sua participação para de 33,3% para 43%. Parceiro do Luso Brasileiro desde 2012, o Sr. Amorim está criando um banco especializado em transporte de massa no Brasil. Seus parceiros incluem os grupos portugueses Ruas e Cunhas, acionistas da construtora de carrocerias de ônibus Caio Induscar. Francisco Ribeiro, presidente do Luso Brasileiro, disse que a ideia é dobrar o total de ativos do banco em dois anos, para R$ 1 bilhão.













