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Partidos italianos começam a se distanciar do plano de Napolitano

Internacional|Do R7

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Roma, 31 mar (EFE).- Os partidos da Itália começam a se distanciar do plano do presidente do país, Giorgio Napolitano, para tentar tirá-lo da estagnação política atual, após um breve reconhecimento da tentativa de solução apresentada pelo chefe de Estado. A maioria das aprovações dadas ontem após o anúncio de Napolitano se dissiparam neste domingo com a volta da divisão existente entre as forças parlamentares e que faz com que o próprio plano do presidente corra risco de naufragar. As críticas à iniciativa de Napolitano, que contempla a formação de duas "comissões de sábios" que devem preparar uma lista de reformas necessárias que possa ser compartilhada pelos partidos, foram feitas em maior medida pelo partido do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, o conservador Povo da Liberdade (PDL), e pelo Movimento 5 Estrelas (M5S), do comediante Beppe Grillo. Em declarações à rede de televisão "Sky TG24", o porta-voz do PDL na Câmara dos Deputados e ex-ministro de Administrações Públicas, Renato Brunetta, rejeitou categoricamente a criação desses grupos, porque, disse, "não servem para nada, com todo o respeito que merece o presidente da República". Brunetta afirmou que Berlusconi, que ainda não se pronunciou publicamente sobre este assunto, pensa como ele e acompanha com atenção os acontecimentos, qualificou o governo interino liderado por Mario Monti de "zumbi" e disse que "já basta de perder tempo e fazer novas consultas (do presidente com líderes políticos)". O ex-ministro de Administrações Públicas insistiu que é preciso chegar a um acordo para formar um governo de coalizão entre o PDL, o Partido Democrata (PD) de Pier Luigi Bersani, e a legenda de Monti, Escolha Cívica, e que, se isso não acontecer, será preciso que os italianos voltem às urnas o mais rápido possível. Por meio de um comunicado, o senador do PDL Fabrizio Cicchitto chegou a dar um prazo de sete a dez dias a estas comissões para oferecer resultados concretos e evitar a continuidade do governo interino, que segue no poder apesar de Monti ter renunciado em dezembro do ano passado. No movimento de Grillo voltaram a surgir hoje novas vozes contra a existência dessas comissões propostas por Napolitano, depois que ontem à noite seu porta-voz no Senado, Vito Crimi, disse que teria "dificuldades" para se sentar à mesa com esses especialistas. A princípio, o M5S clamou vitória com o plano de Napolitano, pois "a priori" pensava que aprovava sua proposta de dar um maior peso ao parlamento em relação ao governo, e deixava à frente Monti. "O presidente Napolitano ontem confirmou nossas posições sobre o Parlamento e o Governo. Em substância, afirmou que um governo está no poder, embora limitado nos assuntos correntes, e está trabalhando em colaboração com o parlamento, e mais, só com o prévio consenso do parlamento", afirmou Grillo em um post publicado hoje em seu blog. No entanto, o comediante sustenta que as comissões devem ser formadas são as parlamentares, porque o país não precisa dos "misteriosos negociadores ou mediadores que operam como grupos de sábios, nem dos 'cuidadores da democracia', mas permitir que o parlamento funcione melhor". A formação que mais se mostra de acordo com o plano de Napolitano é a de Monti, talvez porque esta mantenha seu líder no governo, enquanto o PD, que se mostrou disposto a acompanhar de modo responsável todo o percurso proposto pelo presidente, insiste na necessidade de um governo formado por políticos. "A classificação do que pode ser útil para o país tem em primeiro lugar um governo político e depois os diferentes modos de governos institucionais", disse o porta-voz do PD no Senado, Luigi Zanda, em entrevista publicada neste domingo pelo jornal "La Stampa". A composição dos grupos também desperta receios, pois um de seus integrantes, Enrico Giovannini, presidente do Instituto de Estatística, não foi capaz de concluir com sucesso há um ano a comissão para reduzir o salário dos parlamentares, e outro deles, Mario Mauro, passou do partido de Berlusconi para o de Monti. EFE mcs/id

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