Pequim e Moscou vão fazer manobras militares no Mar da China Oriental
Internacional|Do R7
Pequim, 1 mai (EFE).- China e Rússia vão realizar exercícios conjuntos com suas Marinhas no final de maio no Mar da China Oriental, o mesmo mês em que o presidente russo, Vladimir Putin, fará uma visita a Xangai. O anúncio dos exercícios militares, feito pelo Ministério da Defesa chinês em seu site oficial, é visto como uma forma de demonstração do "mal-estar" de Pequim com a atitude de Washington em relação às ilhas Diaoyu/Senkaku, que são disputadas com o Japão e estão localizadas no mesmo mar onde ocorrerão as manobras. "Os exercícios, que são manobras regulares entre a Marinha chinesa e russa, têm como objetivo intensificar a cooperação pragmática entre as Forças Armadas dos dois países, assim como melhorar sua capacidade de fazer frente a possíveis ameaças", explica o comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa chinês. O Mar da China Oriental passou a ser um local delicado para as relações internacionais depois que Pequim anunciou a criação de uma Zona de Identificação de Defesa na região no fim do ano passado. A área inclui as ilhas disputadas e outras ilhotas sobre as quais há reivindicações territoriais de outros países, o que provocou protestos de Japão, EUA e Filipinas. O anúncio das manobras acontece pouco depois da passagem do presidente dos EUA, Barack Obama, pelo continente. O líder americano esteve nas Filipinas, Coreia do Sul, Malásia e Japão, onde se pronunciou pela primeira vez sobre o conflito do arquipélago das Diaoyu/Senkaku, um território ao qual os EUA estenderam suas garantias de segurança, por ser controlado pelos japoneses, conforme o estabelecido no tratado de segurança entre os dois países. Tais declarações são uma das possíveis causas dos atuais exercícios, segundo o especialista naval chinês Li Jie, quem também destacou o pacto militar de dez anos entre as Filipinas - que também disputam outros arquipélagos com a China - e os EUA. "A decisão de escolher o Mar da China Oriental é obviamente um gesto político de protesto contra as sanções dos EUA à Rússia, mas também pela intervenção de Washington nas disputas da China com Japão e Filipinas no Mar do Sul da China e da China Oriental", declarou Li ao jornal "South China Morning Post". "A Rússia possivelmente pretende usar esses exercícios para lembrar aos EUA e à União Europeia (UE) que Moscou e Pequim estão reforçando suas 'relações estratégicas', conforme os acordos estipulados entre o presidente Xi Jinping e Putin", acrescentou outro especialista, Nem Lexiong, à mesma publicação. Na última segunda-feira, os EUA impuseram novas sanções contra sete funcionários russos, incluídos dois muito próximos do presidente Putin, e congelaram os ativos de 17 companhias pelo que consideraram um papel "provocativo" da Rússia na crise da Ucrânia, assim como a UE ampliou para mais 15 pessoas sua lista de sanções a russos e ucranianos pelo mesmo motivo. A China se mostrou ambígua até o momento em sua postura sobre a crise na Ucrânia, já que, por um lado, é reticente a qualquer movimento separatista pela existência de grupos que reivindicam a independência de certas regiões de seu território, mas, por outro, é um aliado constante da Rússia no campo diplomático. EFE tg/rpr












