Plenária no Rio revela principal força por trás dos protestos
Internacional|Do R7
José Manuel Blanco. Rio de Janeiro, 26 jun (EFE).- A principal força por trás dos maiores protestos ocorridos no Brasil em décadas é um grupo heterogêneo de estudantes, organizações sociais e partidos minoritários de esquerda que querem garantir o movimento para realizar seu sonho de mudar o país. O movimento carece de um porta-voz ou um grupo impulsor claro e é articulado pela internet, principalmente por meio do Facebook e do Twitter. Esse caráter comunal foi evidenciado, por exemplo, em plenária que reuniu cerca de três mil pessoas, segundo seus cálculos, que aconteceu no início da noite de terça-feira na praça em frente ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, aberta a todos que quisessem participar. Nela cada pessoa que quis pôde expor suas reivindicações, desde a luta contra a corrupção, até um maior orçamento para saúde e educação, e críticas às despesas para grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos. A pergunta mais frequente era qual rumo tomar nas próximas manifestações, explicou Rian Rodrigues à Agência Efe, um dos membros do Fórum de Lutas contra o Aumento da Passagem, que organizou o ato. Surpreendido com o sucesso da iniciativa, Rian mostrou sua esperança em trabalhar para que o movimento e os protestos "durem o máximo possível" com o objetivo de transformar o país, embora tenha reconhecido que "devemos ser específicos" nas reivindicações. Rian considera a mobilização "um marco" na história brasileira. Na quinta-feira passada, as manifestações atingiram seu ápice, com a participação de 1,2 milhões de pessoas em todo o país. Segundo uma pesquisa do Ibope, eram majoritariamente jovens estudantes mobilizados pelas redes sociais que saíram às ruas. "Este processo liberou uma grande energia, falta avaliar como ele terá continuidade", declarou à Efe Ivan Valente, deputado federal em São Paulo e presidente nacional do PSOL, uma das forças da esquerda opositora que também está por trás das manifestações. Apesar de os protestos serem considerados apartidários, alguns partidos minoritários de esquerda participaram das manifestações por se identificarem com as reivindicações. Para Valente, "os partidos da direita opositora não têm um discurso unido para capitalizar este descontentamento". "O problema do Brasil é que a riqueza vai para os bancos, para o setor automobilístico. Para mudar isso, o povo deve estar na luta, colocar (no centro) os trabalhadores com suas reivindicações", relatou à Efe o presidente do PSTU, José Maria de Almeida, em conversa por telefone. Para o líder do PSTU, "os partidos e as organizações que estiverem ao lado do povo vão se fortalecer, mas isso deve levar certo tempo". "O movimento começa a ganhar novos contornos, mais complexos", analisou Ivan Valente. Os próximos dias serão essenciais para definir o futuro destas manifestações, assim como o de partidos políticos minoritários com vontade de lutar e nos quais alguns dos descontentes podem encontrar uma nova identificação. EFE jbl/jt/rsd (vídeo)













