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Polícia francesa interroga criança de 8 anos por apologia ao terrorismo

Menino muçulmano teria sido "denunciado" pelo professor

Internacional|Do R7

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Após os atentados em Paris que deixaram 17 mortos, a polícia francesa aumentou fortemente a vigilância no país
Após os atentados em Paris que deixaram 17 mortos, a polícia francesa aumentou fortemente a vigilância no país

A polícia da França interrogou, nesta semana, um menino muçulmano de oito anos por "apologia ao terrorismo" após a criança se identificar com os extremistas que cometeram os atentados de janeiro em Paris, que deixaram 17 mortos.

Em 8 de janeiro, um dia depois do ataque contra a revista de humor Charlie Hebdo, o professor de uma escola primária em Nice, no sul do país, perguntou aos seus alunos se eles apoiavam o slogan surgido após a tragédia, o "Je suis Charlie" (Eu sou Charlie).


O jornal Libération informou nesta quinta-feira (29) que o menino, identificado como Ahmed, afirmou que não era Charlie e "estava com os terroristas", pois a revista havia satirizado o profeta Maomé.

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O professor alertou ao diretor do colégio, que convocou os dois para uma conversa.


Em 21 de janeiro, segundo o advogado da família, Sefen Guez, foi apresentada uma denúncia em uma delegacia por "apologia do terrorismo" contra o pai da criança.

O menino e seu pai foram então interrogados pela polícia.


"Interrogar uma criança de oito anos reflete o estado de histeria coletiva atual em torno da noção de apologia do terrorismo. Neste tipo de caso, é necessária a pedagogia", afirmou o advogado, para quem a atitude do diretor "é inadmissível".

Em sua conta no Twitter, o advogado afirmou que quando os policiais perguntaram ontem à criança o que significava a palavra terrorismo, Ahmed nem soube responder.

Guez disse que é um "absurdo" que as "palavras de um menino que não entende o que diz" fossem levadas a sério. O CCIF (Coletivo contra a Islamofobia na França) disse ontem que a criança e o pai foram interrogados durante cerca de duas horas, e considerou que a situação ilustra a "histeria coletiva" que o país está vivendo. 

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