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Polícia sul-africana prende 400 imigrantes ilegais em Johanesburgo

Grupos de direitos humanos criticaram perseguição do governo a estrangeiros

Internacional|Do R7

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3,7 mil cidadãos de países africanos foram repatriados nas últimas semanas após serem vítimas de xenofobia
3,7 mil cidadãos de países africanos foram repatriados nas últimas semanas após serem vítimas de xenofobia

A polícia sul-africana prendeu nesta sexta-feira (8) 400 estrangeiros, supostamente imigrantes ilegais, no centro de Johanesburgo, em outra etapa da operação iniciada após a onda de xenofobia que começou no mês passado no país.

Entre os alvos da operação - que novamente contou com a participação do exército - esteva a Igreja Metodista, que ofereceu refúgio durante anos a centenas de imigrantes e refugiados, a maioria do Zimbábue, informou o site "Eyewitness News".


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"O corpo de um homem, de entre 35 e 45 anos, foi encontrado durante a operação desta manhã", informou a porta-voz policial, Katlego Mogale. Esta nova atuação eleva a quase 1.500 o número de imigrantes ilegais, a maioria africanos, presos desde 21 de abril, quando o governo iniciou uma operação envolvendo a polícia e o exército para encerrar os ataques xenofóbicos. 


Apesar de a revista ter começado nos albergues de trabalhadores zulus, onde vivem os responsáveis de alguns dos piores incidentes contra imigrantes africanos, se estendeu posteriormente a outros focos de criminalidade e a regiões com alta presença de imigrantes.

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Grupos de defesa dos direitos humanos criticaram que o governo reaja à explosão xenofóbica prendendo imigrantes e acusam as autoridades de incriminarem os estrangeiros de outros países africanos. Centenas de cidadãos de países como Zimbábue, Nigéria, Congo e Somália esperam para ser deportados a seus países em um centro de detenção no oeste de Johanesburgo.

Ao todo, 3,7 mil cidadãos de países como Malawi, Moçambique e Zimbábue foram repatriados por seus governos nas últimas semanas após serem vítimas da violência xenofóbica. A onda de ataques começou no final de março na cidade oriental de Durban, após o rei do povo zulu, Goodwill Zwelithini, pedir aos imigrantes africanos para que abandonassem o país.


Os assaltos e agressões a estrangeiros aumentaram por toda Johanesburgo, provocando em todo o país milhares de refugiados internos e pelo menos sete mortes.

A violência xenofóbica é um fenômeno recorrente nas regiões pobres de população negra da África do Sul, onde imigrantes de outros países do continente são acusados de tirar o trabalho dos nativos e trazer criminalidade a essas comunidades.

Em 2008, pelo menos 62 pessoas morreram na pior onda de ataques xenofóbicos recordado na África do Sul, que tem uma das maiores povoações de imigrantes e refugiados de toda África.

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