Portugueses marcham contra austeridade e pedem renúncia do governo
Ao som do hino da Revolução dos Cravos, mais de 200 mil portugueses mostraram seu descontentamento em Lisboa
Internacional|Do R7

Centenas de milhares de portugueses tomaram as ruas de Lisboa e outras cidades neste sábado (2) para exigir o fim das medidas de austeridade determinadas pelo resgate financeiro internacional e para pedir que o governo de centro-direita renuncie.
As manifestações, que se seguem ao maior aumento de impostos que se tem memória no país, marcam a maior demonstração pública de descontentamento desde as manifestações de setembro do ano passado, que forçaram o governo a ajustar algumas de suas medidas de austeridade.
Mais de 200 mil manifestantes se reuniram na grande Praça do Comércio e nas ruas ao redor, em Lisboa, onde fica o Ministério das Finanças, gritando: "Está na hora do governo ir embora!".
Veja as principais imagens deste sábado (2)
Muitos carregavam cartazes com slogans como "Austeridade mata" e "Que se lixe a Troika, poder para o povo!", visando a chamada Troika de credores da Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional.
"Grandola", a música símbolo da revolução dos Cravos de 1974, que derrubou a ditadura fascista de Antonio Salazar depois que o exército se rebelou, ecoava na multidão em Lisboa, que tem uma população de cerca de três milhões de pessoas.
Os manifestantes têm usado cada vez mais a música nas últimas semanas para interromper discursos de ministros do governo em eventos públicos.
As manifestações, que coincidem com a revisão trimestral de inspetores da UE/FMI, são os primeiros grandes protestos desde que o governo reconheceu no mês passado que a crise econômica desse ano será pior que as previsões iniciais.
A previsão de queda de 1,9% aumentará ainda mais a pior recessão desde os anos 70 no país, em seu terceiro ano.
O aumento de impostos e os cortes orçamentários determinados pelos termos do empréstimo de 101,3 bilhões de dólares acordado em meados de 2011, reduziram a demanda dos consumidores e empurraram o desemprego para um nível recorde de 17%, levando milhares de pequenas empresas à falência.
"Esse governo deixou o povo a pão e água, vendendo propriedades do país a preço de banana, para pagar dívidas que foram contraídas por políticos corruptos para beneficiar os banqueiros", disse Fabio Carvalho, um cineasta que estava protestando.
— As coisas precisam mudar, se não hoje, amanhã, e precisamos continuar nas ruas para que o governo caia.
As manifestações foram organizadas em Lisboa, Porto e outras cidades via internet por um grupo de ativistas conhecido como "Que se Lixe a Troika".
Veronica Pereira, uma mãe desempregada que diz que não tem mais como mandar a filha para a faculdade, disse: "Nosso povo tem o hábito de deixar as coisas acontecerem, mas acho que isso está mudando radicalmente agora. Precisamos protestar para mudar as coisas".
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