"Post" pede "não fortalecer" irmãos Castro enquanto perseguirem opositores
Internacional|Do R7
Washington, 17 fev (EFE).- O jornal "The Washington Post" pediu nesta segunda-feira em um editorial que não se "recompense ou fortaleça" o regime cubano, apesar dos "fortes anseios" de normalização nos Estados Unidos, enquanto o governo da ilha continuar perseguindo e detendo dissidentes. O texto afirma que "os Castro não devem ser recompensados pela repressão" e lembra o caso do opositor Jorge Luis García Pérez, "Antúnez", que em 5 de fevereiro foi detido em sua casa de Placetas (província de Villa Clara) por protestar abertamente contra as violações da liberdade e direitos humanos por parte do governo de Raúl Castro. "Os ataques, os abusos e as detenções são a realidade do dia a dia para os dissidentes cubanos e falam claramente sobre que tipo de regime os irmãos Castro presidem ", diz o editorial publicado hoje na edição impressa do diário. "Minúsculos movimentos rumo à liberalização econômica não deveriam convencer ninguém de que os irmãos (Castro) decidiram relaxar o pulso. Pelo contrário, buscam desesperadamente modos de se aferrar ao poder", acrescenta o editorial. "Antúnez", secretário da ilegal Frente Nacional de Resistência Cívica e Desobediência Civil Orlando Zapata Tamayo (Frente OZT), se declarou em greve de fome após sua detenção e está, segundo seus próximos, em estado de saúde delicado. "O assédio a 'Antúnez' indica que os irmãos Castro não têm intenção de mudar. Não deveriam ser recompensados ou fortalecidos enquanto 'Antúnez' e outros dissidentes sofrem. Compartilhamos a visão de 'Antúnez' de uma Cuba realmente livre e não somente retocada para que o regime pareça melhor", diz o jornal americano. O texto fez uma referência velada ao retoque em uma foto de Fidel Castro para que não se visse o aparelho de audição que utiliza. O veículo duvida que "Fidel Castro e seu irmão Raúl, o atual presidente, estejam escutando os que demandam liberdade e democracia". O editorial também se refere aos apelos públicos nos Estado Unidos a normalizar as relações com a ilha após meio século de bloqueio econômico, o que a maior parte da opinião pública americana apoia, segundo uma recente pesquisa do Atlantic Council. O editorial adverte, ainda que esses desejos não podem se sobrepor ao respeito aos direitos humanos e à necessidade de liberdade em Cuba. EFE jmr/tr













