Praga quer impulsionar cultivo de maconha para baratear a droga legal
Internacional|Do R7
Gustavo Monge. Praga, 19 mar (EFE).- O governo da República Tcheca quer estimular o cultivo local de maconha após o fracasso da legalização da droga para fins terapêuticos devido aos altos preços da cannabis importada. A lei de legalização, aprovada em 2012 e em vigor desde o final de 2014, pretende facilitar o consumo da maconha para fins medicinais mediante sua venda controlada em farmácias. O objetivo é que os pacientes possam comprar cannabis a preços razoáveis, mas as vigentes restrições ao cultivo fazem com que seja preciso importar o cânhamo indiano, disparando seu preço a níveis inalcançáveis para a maioria deles. Um grama de flor de maconha seca importada custa quase 11 euros, por isso uma dose mensal de 30 gramas, a quantidade máxima que um médico pode receitar, chega a 330 euros, um terço do salário médio no país centro-europeu. "Queremos conseguir um preço mais comparável com os importados", afirmou à Agência Efe Stepanka Cechova, porta-voz do Ministério da Saúde tcheco. Especialistas e representantes dos pacientes afetados continuam reivindicando que a maconha chegue legalmente e esteja ao alcance de todos os bolsos. Eles denunciam que, mais de dois anos depois da legalização e poucos meses desde que sua comercialização efetiva começou em farmácias, não foi conquistado nada do que a lei buscava. "Não foi possível atingir o objetivo", reconheceu Viktor Mravcik, diretor do Centro de Acompanhamento Nacional de Drogas e Toxicomania do Escritório do governo. "Foi criado um marco legal pelo qual é possível ter acesso a uma medicação a base de cannabis, mas na prática não isso não ocorre", acrescentou. Os criadores da lei buscavam responder a necessidades de uma população muito concreta e numerosa, e tinham, além disso, o apoio de médicos e neurologistas tchecos, entre os quais existe um consenso sobre a eficácia da maconha para combater males como as dores crônicas neurológicas e a polineuropatia em pacientes com aids, entre outros. No processo legislativo foi fixado um sistema de receita eletrônica para evitar abusos e que a polícia possa controlar facilmente a comercialização da droga. Mas as sanções ao consumo recreativo e ao cultivo da maconha continuaram vigentes. A essas restrições se opõe a organização Legalizace.cz, que defende a liberalização total deste entorpecente. A falta de recursos econômicos levou muitos dos potenciais usuários a expressar uma profunda decepção, enquanto utilizam vias ilegais para comprar as doses. Ao alto preço, soma-se também a rejeição do Instituto Estatal para Controle de Fármacos a subvencionar a maconha através do seguro médico. "Para fixar a cobertura da segurança médica é indispensável que a eficácia da preparação, em comparação com outros fármacos, seja clinicamente significativa. Por enquanto não existem essas provas", declarou à Agência Efe Lucue Sustkova, porta-voz desse instituto. Essa resposta não convence as pessoas envolvidas, algumas das quais acreditam que os obstáculos aos esforços paa facilitar a cannabis aos que necessitam estariam relacionados com interesses de empresas multinacionais farmacêuticas que desejam conter o desenvolvimento deste tratamento. É o caso, por exemplo, de Zdenek Majzlik, um aposentado que cuida de sua filha Martina, de 47 anos e que sofre de esclerose múltipla. A dose mensal de cem gramas para sua filha exigiria um gasto de cerca de mil euros, muito acima do valor que recebe de aposentadoria. "Seria preciso garantir condições para que o custo fosse um décimo do salário mínimo, como em Israel", disse. Após experimentar outros remédios, Mejzlik considera que o cânhamo indiano é a saída mais eficaz a certos problemas de saúde de sua filha, como os espasmos musculares. Martina deve fumar cinco cigarros de maconha por dia para evitar as contrações musculares que a impedem de realizar as funções mais básicas. Para isso, a família cultiva oito plantas, suficientes para coletar a cada ano, em meados do outono, os dois quilos de flores de que garantem a dose de Martina. EFE gm/ff/id (foto)











