Premiê de Portugal tenta neutralizar crise política
Internacional|Do R7
Por Sergio Goncalves e Daniel Alvarenga
LISBOA, 3 Jul (Reuters) - O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, está confiante que os dois partidos da coalizão governamental vão ultrapassar "muito rapidamente" a atual crise política, que derrubou a bolsa de valores de Lisboa e fez disparar o rendimento da dívida soberana.
Em entrevista coletiva em Berlim, o premiê português disse que "Portugal tem feito tudo o que é indispensável para cumprir com sucesso o programa de ajuste (fiscal)".
"(Portugal) tem até agora conseguido estabilidade política para ultrapassar dificuldades econômicas e financeiras", disse.
O líder do Centro Democrático e Social-Partido Popular (CDS-PP), Paulo Portas, que apresentou sua demissão do cargo de ministro de Relações Exteriores e gerou uma crise política, vai negociar com Passos Coelho, que além de primeiro-ministro é presidente do PSD, para garantir a governabilidade, disse o presidente da mesa do Congresso do CDS-PP, Luis Queiró.
O premiê não aceitou a demissão de Portas e reafirmou que não abandonará a chefia do Executivo.
Portas é o líder do CDS-PP, que é crucial para a coligação governamental manter o apoio da maioria do Parlamento, e tem manifestado publicamente a sua discordância com várias medidas de austeridade, como aumento de impostos e cortes de gastos sociais, defendidos pelo premiê e pelo anterior ministro das Finanças.
Segundo o premiê, "até hoje PSD e CDS têm conseguido colocar o interesse nacional à frente de todas as pequenas divergências, que são naturais, e tem conseguido mostrar ao país que a maioria funciona, com avaliações positivas em todos os exames".
A imprensa portuguesa noticiou nesta quarta-feira que a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, e o ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, ambos do CDS-PP, menor partido da coalizão governista, irão apresentar a sua demissão, o que colocaria o governo à beira do colapso.
O presidente da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, José Manuel Durão Barroso, alertou que "a reação inicial dos mercados mostra o risco óbvio de que a credibilidade financeira recentemente construída por Portugal possa ser prejudicada pela atual instabilidade política".
O analista António Garcia, do Barclays, vê "eleições antecipadas como o mais provável resultado, mesmo que não possa afastar algum apoio dos deputados do CDS e a continuidade do governo".
A atual crise política acontece às vésperas da oitava revisão regular do resgate feito à Portugal pela UE, que terá inicio formal em 15 de julho.
O principal índice de ações da Bolsa de Lisboa desabou mais de 5 por cento nesta quarta-feira, enquanto o yield dos bônus de Portugal chegaram a disparar acima de 8 por cento, no maior patamar desde novembro de 2012.













