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Presidente alivia, mas não resolve, crise portuguesa

Internacional|Do R7

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Por Shrikesh Laxmidas

LISBOA, 22 Jul (Reuters) - O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, aliviou as preocupações dos investidores ao manter a coalizão governista no poder até 2015, mas tensões não resolvidas sobre austeridade significam que a crise política do país não acabou.


Essencialmente, os sintomas imediatos da crise têm sido tratados, mas a cura continua fora de alcance.

O presidente descartou no domingo uma eleição antecipada e manteve o governo de coalizão centro-direita até o final de seu mandato. Isso acalmou alguns nervos sobre a capacidade de Portugal de sair em meados de 2014 do resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).


Após uma crise interna ter ameaçado provocar uma ruptura na coalizão e negociações para um pacto de "salvação nacional" com os socialistas, da oposição, terem falhado na sexta-feira, a decisão do presidente de não convocar eleição foi bem recebida pelos mercados.

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"A julgar pela aparência, pode-se interpretar que essa (decisão) é positiva já que reduz o risco de um hiato de reforma", escreveram analistas do Rabobank em nota.

"Mas, essa manutenção do status quo não faz nada para lidar com as divergências de opinião dentro da coalizão governista, que deve voltar."


Cavaco Silva alertou que os parceiros de coalizão têm que se manter unidos para finalizar o programa de resgate, permitir que Portugal volte aos mercados e se recupere de sua maior contração econômica desde a década de 1970.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, prometeu fazer isso, ao afirmar que o país precisa recuperar a confiança que foi afetada pela crise.

"Nós iremos restaurar a confiança sem levantar qualquer dúvida sobre o processo que estamos realizando, dizendo 'sim, queremos finalizar o programa de assistência na data firmada'", disse ele.

Mas muita coisa ainda permanece incerta.

A disputa dentro da coalizão começou quando o ministro das Relações Exteriores, Paulo Portas, líder do parceiro de coalizão CDS-PP, renunciou.

Ele foi contra a indicação da ex-secretária do Tesouro, Maria Luis Albuquerque, uma defensora da austeridade, como ministra das Finanças para substituir Vitor Gaspar --o arquiteto das medidas de austeridade nos últimos dois anos.

A ideia de Passos Coelho era tornar Portas seu vice e colocá-lo a cargo das negociações.

Nesta segunda-feira o premiê confirmou que esse ainda é seu plano, embora ele ainda tenha que formalizar o pedido ao presidente, que então anunciará os termos finais da reforma.

Se a reforma do gabinete acontecer, ainda será preciso ver como Portas lidará com um ministro das Finanças cuja indicação ele criticou e se ainda poderá forçar um impasse com os credores sobre a austeridade futura.

(Reportagem adicional de Andrei Khalip e Daniel Alvarenga em Lisboa)

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