Presidente chinês fecha viagem por continente americano com otimismo
Internacional|Do R7
Paloma Almoguera. Pequim, 10 jun (EFE).- Após visitar quatro países em menos de dez dias e de se reunir com o presidente americano, Barack Obama, o presidente da China, Xi Jinping, está novamente em Pequim com previsões otimistas sobre os resultados de sua intensa rodada de contatos. Várias circunstâncias parecem ter soprado a favor de Xi, que aterrissou na noite de domingo em Pequim após encerrar sua segunda viagem ao exterior como líder da potência asiática. Acompanhado de sua popular esposa, a cantora folclórica Peng Liyuan, o líder chegou na quinta-feira na fazenda de Rancho Mirage (Califórnia) em plena polêmica nos EUA pelos registros telefônicos que suas agências de inteligência realizam em algumas companhias, cuja "legalidade" Washington defende como ferramenta antiterrorista. As críticas domésticas serviram de oportuno escudo para Xi, ao diminuir a autoridade dos EUA na hora de repreender a China por suas atividades de ciberespionagem. A crise norte-coreana, outra assunto delicado entre Pequim e Washington, também virou a favor da China quando, após meses de tensão e negociações diplomáticas, Pyongyang e Seul anunciaram na sexta-feira que retomariam o a caminho da reconciliação. O ânimo pacifista na península coreana eliminou um atrito maior entre os líderes e demonstrou que as duas potências econômicas cada vez compartilham um interesse maior em dissuadir a Coreia do Norte de seus planos nucleares, apesar da China ser o principal aliado do hermético regime comunista. Não faltavam, apesar disso, assuntos que pudessem nublar o encontro. Entre eles, o conflito sírio, a crise iraniana, os litígios comerciais entre Pequim e Washington, os direitos humanos ou as suspeitas que a expansão militar dos EUA desperta na região Ásia-Pacífico. É exatamente esta circunstância que segundo analistas fez com que o governo chinês escolhesse a América Central e o Caribe como eixo de sua viagem, onde os Estados Unidos é a força militar predominante. "A mensagem é muito clara: aqui estou eu", disseram à Agência Efe fontes diplomáticas que preferem manter o anonimato. Trinidad e Tobago não foi só a primeira parada de uma viagem de Estado inédita para um presidente da China a um país caribenho. Xi aproveitou a visita para se reunir com vários líderes de nações do Caribe anglófono (Antígua e Barbuda, Barbados, Bahamas, Dominica, Granada, Guiana, Suriname e Jamaica). Se a Costa Rica, a segunda parada, foi uma escolha mais "convencional" devido à consolidada relação -Tratado de Livre- Comércio (TLC) incluído- entre ambos, a "joia da coroa" para alguns analistas é o terceiro destino: México. Francisco Nieto, professor da Universidade de Georgetown, considera que o país é o único lugar que "vai a marcar o verdadeiro êxito ou fracasso da viagem". "O México (com quem a China deseja assinar outro TLC) já é uma economia de certo nível. Uma maior aproximação significa poder colocar mais produtos nos EUA", explicou. Além disso, Xi realizou no país uma reunião com os membros do Caricom (Comunidade do Caribe), o que poderia apontar para uma cooperação "multilateral" com essa região. No total, o chefe de Estado chinês assinou 24 acordos de cooperação com Trinidad e Tobago, Costa Rica e México, enquanto a Nicarágua anunciou que concedeu a uma empresa chinesa uma concessão de 100 anos para a construção de uma alternativa ao canal do Panamá. Este projeto reforçará a influência de Pequim no comércio entre o Pacífico e o Atlântico, uma rota naval que agora está dominada pelos Estados Unidos. Apesar da aparente expansão chinesa na região, analistas asseguram que Pequim não pretende ofuscar Washington. Nessa linha, as duas principais economias mundiais apostaram por defender o encontro entre Xi e Obama como uma reunião "informal" destinada a buscar um "novo modelo de relações", o que está longe de fomentar a ideia de uma luta de titãs pela zona. Por enquanto, o espírito de aproximação entre os dois países e os projetos anunciados com a América Latina e o Caribe sugerem certo êxito diplomata da viagem de Xi, mas os verdadeiros resultados apenas serão observados com a passagem do tempo. EFE pav/dk











