Presidente convoca Renzi para reunião com Itália buscando novo governo
Internacional|Do R7
ROMA, 16 Fev (Reuters) - O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, convocou Matteo Renzi para uma reunião na segunda-feira, durante a qual é esperado que ele peça ao líder de centro-esquerda para formar um governo que deve reformar uma das economias mais problemáticas da zona do euro.
Na reunião, Napolitano deve pedir ao prefeito de Florença para formar o 65o governo do país desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo um comunicado do gabinete do presidente, o encontro está marcado para 10h30 do horário local, em Roma (06h30 do horário de Brasília).
Enrico Letta renunciou ao cargo de primeiro-ministro na sexta-feira depois que seu Partido Democrático (PD) obrigou a abertura de caminho para Renzi, de 39 anos, que está prometendo reformas radicais para a terceira maior economia da zona do euro, e um governo que pode sobreviver até 2018.
Renzi se tornaria o mais jovem primeiro-ministro na história italiana. Mas para tomar o poder, ele precisará do apoio de um rival de centro-direita, e se recebê-lo, irá se tornar o terceiro primeiro-ministro consecutivo escolhido pelo presidente e não pelo voto popular.
Esse processo não é muito bem visto em um país onde a elite política entrincheirada e resistente à reforma perdeu popularidade devido à corrupção sistêmica e má administração.
"Renzi cometeu um pecado original, ele irá tornar-se primeiro-ministro sem uma eleição", disse Giovanni Orsina, vice-chefe da Escola de Governo Luiss, de Roma. "Agora, a fim de fazer que o pecado original seja esquecido, ele precisa governar de forma muito eficaz."
Depois de obter um mandato do presidente, Renzi terá que chegar a um acordo com o pequeno partido Nova Centro-Direita (NCD), cujo apoio o PD precisa para comandar uma maioria parlamentar.
O partido, que se separou do ex-premiê Silvio Berlusconi no ano passado, disse que quer ver um programa escrito que coloque um claro selo de centro-direita sobre impostos, empregos e políticas de família antes de dar seu apoio a Renzi.
Na frente econômica, os dois lados devem encontrar um terreno comum. Renzi já disse que apoia impostos mais baixos que afetam o emprego, mas as duas partes diferem em questões sociais, como a imigração e leis que permitem uniões civis entre gays e lésbicas.
"Somos decisivos. Se dissermos não ao governo, ele não vai nascer", disse o líder do NCD, Angelino Alfano, em um comício do partido no domingo. Renzi poderá se reunir com Alfano em Roma na noite de domingo para elaborar um acordo, noticiaram alguns meios de comunicação italianos.
Negociações de bastidores para postos-chave no gabinete de Renzi pelo NCD e outros aliados de menor porte estão em pleno andamento, informou a mídia italiana no domingo, e uma vez concluídas, Renzi deve buscar votos de confiança em ambas as casas do parlamento.
Em seguida, o governo vai assumir o comando de uma economia que cresceu apenas 0,1 por cento no quarto trimestre do ano passado, no primeiro sinal de melhora da atividade empresarial desde que o país entrou na sua pior recessão pós-guerra, em meados de 2011.
(Por Steve Scherer)










