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Presidente da Itália critica partidos e tenta formar governo

Internacional|Do R7

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ROMA, 22 Abr (Reuters) - O presidente reeleito da Itália, Giorgio Napolitano, repreendeu os partidos políticos italianos em discurso emotivo nesta segunda-feira e anunciou negociações que poderão levar a um governo de grande coalizão formado dentro de alguns dias para terminar dois meses de impasse pós-eleitoral.

Napolitano, de 87 anos, disse que só aceitou um segundo mandato sem precedentes como chefe de Estado por causa do "alarme dramático" que a Itália enfrenta desde as eleições nacionais de fevereiro que não deixaram nenhum partido com a maioria suficiente para governar sozinho.


Em um discurso inaugural no Parlamento, dois dias depois de eleito, ele apelou para a rápida formação de um novo governo apoiado pelos principais partidos políticos. Napolitano disse que eles precisavam manter o compromisso da Itália com seus aliados da União Europeia, que viram o impasse em Roma afetar a sua moeda comum, o euro.

Os mercados financeiros subiram em resposta à eleição no fim de semana para a Presidência, um cargo que é em grande parte cerimonial, mas que tem um papel fundamental na condução da formação de governos de coalizão.


Acusando os partidos e os seus líderes de "irresponsabilidade" e ameaçando se demitir se não houver cooperação pelo interesse nacional, Napolitano conteve a emoção quando disse que o resultado da eleição parlamentar havia criado "a necessidade inevitável de um entendimento entre as diferentes forças políticas para criar e manter um governo."

Em comunicado emitido após o discurso, ele disse que irá começar uma "rápida série de reuniões" com os líderes parlamentares, mas deixou claro que não haverá longas consultas, sugerindo que um novo governo poderá ser anunciado dentro de um ou dois dias.


Com a voz ocasionalmente embargada enquanto lutava para conter as lágrimas, Napolitano criticou os partidos por obstruírem seus esforços em busca de reformas para reanimar a economia estagnada e as instituições políticas da Itália, muitas vezes ineficazes.

Acusando os próprios partidos que lhe pediram que permanecesse no cargo, apesar da resistência aos seus apelos durante dois meses de negociações sobre um novo governo, ele disse que não irá tolerar mais desculpas para não fazer o que for necessário para tirar a Itália da crise.


"Eu tenho o dever de ser sincero. Se eu me encontrar mais uma vez diante do tipo de surdez que vi no passado, eu não hesitarei em estabelecer as consequências", disse ele.

O discurso foi, às vezes, interrompido por aplausos estrondosos. Ele disse que o fracasso em reformar a lei eleitoral, o que contribuiu para o impasse político, era "imperdoável" e acusou os partidos de uma "longa série de omissões e falhas, obstrução e irresponsabilidade".

(Reportagem de Gavin Jones e Steve Scherer)

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