Presidente da Ucrânia deixa capital Kiev e viaja para o leste do país
Complexo presidencial está sem guarda e manifestantes parecem tomar conta do local
Internacional|Do R7, com agências

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, deixou Kiev durante a noite de sexta-feira (21) para viajar até Kharkiv, no leste do país, onde se reunirá com os deputados das regiões pró-Rússia, informou neste sábado (22) a agência UNN.
Entretanto, o representante de Yanukovich na Rada Suprema (Parlamento), Yuri Miroshnichenko, garantiu que desconhece o paradeiro do chefe de Estado, que assinou ontem um acordo com a oposição para uma solução pacífica para a crise do país.
Segundo um dos líderes da oposição, Vitali Klitschko, Yanukovytch deixou Kiev.
"Ele abandonou a capital", declarou Klitschko aos deputados no Parlamento, antes de pedir a "adoção de uma resolução que exija que Yanukovytch apresente a renúncia".
Outro deputado chegou a afirmar que o presidente abandonou o país.
Presidente do Parlamento renuncia por problemas de saúde
Acordo pode ter chegado tarde demais
Ganna German, colaboradora do presidente, disse à agência France Press que Yanukovich está em Jarkiv, cidade do leste da Ucrânia.
— O presidente cumpre com suas funções constitucionais. Vai falar hoje pela televisão em Jarkiv.
Complexo presidencial está sem guardas
O complexo presidencial da Ucrânia, na capital Kiev, está sem guarda, com manifestantes aparentemente em total controle da área governamental, dizem correspondentes da BBC.
Líderes da oposição querem que o presidente renuncie imediatamente. Eles querem que as eleições sejam convocadas para 25 de maio — e não até o final de dezembro, como previsto no acordo de paz firmado na sexta-feira.
Apesar do acordo mediado pela União Europeia ter sido assinado ontem, milhares de pessoas permaneceram nas ruas de Kiev.
O porta-voz do Parlamento, Volodymyr Rybak, renunciou, citando problemas de saúde.
O correspondente da BBC Kevin Bishop diz que não há sinal de forças de segurança dentro do complexo presidencial, antes fortemente vigiado, embora alguns funcionários do governo tenham chegado para o trabalho. Ele foi capaz de entrar diretamente no local.
Os manifestantes estão em pé nos jardins do edifício incrédulos, acrescenta.
Apoiadores abandonam presidente
Nas últimas horas, dezenas de deputados do Partido das Regiões (PR), que governa o país, abandonaram a legenda de Yanukovich e se mostraram dispostos a cooperar com a oposição para a criação de um governo de união nacional.
O partido de oposição Udar, liderado por Vitali Klitschko, anunciou neste sábado que apresentará ao Parlamento uma resolução para exigir a renúncia de Yanukovich, o que permitiria a convocação de eleições presidenciais antecipadas.
"Atualmente, o único órgão legítimo de poder na Ucrânia é a Rada Suprema", proclamou Aleksander Turchinov, um dos dirigentes do principal partido opositor, o Batkivschina.
Já foi registrado na Rada um projeto de impugnação do presidente por iniciativa do deputado independente Nikolai Rudkovski, que abandonou o PR após a explosão dos primeiros distúrbios em novembro do ano passado.
Os grupos mais radicais dos protestos antigovernamentais exigem a renúncia imediata do presidente e advertem que a revolução nas ruas continuará até que o atual regime seja afastado do poder.
O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, garantiu hoje durante uma entrevista coletiva em Varsóvia que o acordo na Ucrânia não contemplava garantias de segurança para Yanukovich.
Sikorski criticou os grupos radicais na Ucrânia que querem a saída de Yanukovich e ameaçam recorrer à luta armada contra as autoridades e pediu que a comunidade internacional deixe que os próprios ucranianos decidam sobre seu futuro.
Após o acordo alcançado na sexta-feira para acabar com a violência armada em Kiev, o Parlamento aprovou uma lei que permitirá a libertação da ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, que está presa e é a principal adversária de Yanukovich.
Além disso, destituiu de maneira fulminante o ministro do Interior, Vitaliy Zakharchenko, acusado pela oposição de ordenar em novembro a repressão violenta às manifestações pacíficas.
Protestos de sábado
Os líderes do principal reduto dos protestos, a Praça da Independência, anunciaram que controlam toda a capital ucraniana e convocaram as forças de segurança a se juntar ao grupo de oposição.
Segundo os manifestantes, uma unidade de autodefesa se encontra dentro do edifício do Parlamento, que realiza hoje uma sessão extraordinária.
Os manifestantes ucranianos também tomaram neste sábado o controle de Mezhigorie, a residência de campo do presidente Viktor Yanukovich, localizada a cerca de 20 km de Kiev, e permitiram que vários jornalistas entrassem no imóvel, informou o Canal 5 da televisão local.
A guarda da residência, que vigia o acesso ao lado de vários ativistas, afirmou que o local, propriedade de um funcionário do gabinete presidencial, poderá ser livremente visitado pelo público.











