Presidente eleito do Irã quer fim de interferência na vida privada
Internacional|Do R7
Por Jon Hemming
DUBAI, 3 Jul (Reuters) - O presidente eleito do Irã, Hassan Rouhani, defendeu nesta quarta-feira o fim da interferência governamental e clerical sobre a vida privada da população, além de pedir mais liberdade na Internet e uma abertura maior da imprensa estatal para os problemas nacionais.
Os comentários de Rouhani refletem uma postura de moderação interna e de melhora nas relações com o exterior, fatores que contribuíram para sua surpreendente vitória eleitoral em junho.
A eleição dele entusiasmou iranianos sedentos por mudanças, após oito anos de repressões internas e de confrontação internacional durante o governo do presidente radical Mahmoud Ahmadinejad.
"Não deveria haver nenhum atrito ou divisão entre o governo ou o clero, especialmente num momento em que as pessoas depositaram suas esperanças em verem algum tipo de mudança na sociedade", disse Rouhani, um clérigo de médio escalão, a outros religiosos em Teerã.
"Um governo forte não significa um governo que interfira e intervenha em todos os assuntos. Não é um governo que limite as vidas das pessoas. Isso não é um governo forte", acrescentou Rouhani, que toma posse em agosto.
"O poder do governo depende de melhorar a confiança popular e ... oferecer serviços, diminuir problemas, estabelecer o cenário para um maior desenvolvimento de todos os cidadãos para ajudar a atender às necessidades das pessoas e ao desejo por mudança", disse ele em pronunciamento pela TV estatal.
Rouhani conta com forte apoio popular e também com a sustentação de uma sólida aliança entre moderados e reformistas, liderados pelos ex-presidentes Akbar Hashemi Rafsanjani e Mohammad Khatami, ambos isolados politicamente durante o mandato de Ahmadinejad.
O campo conservador se dividiu para a eleição presidencial deste ano, o que deu uma relativa margem de manobra para Rouhani. Mas os conservadores dizem que o expressivo comparecimento eleitoral representou uma vitória para o sistema clerical.
Com maioria no Parlamento, fortes ligações com a poderosa Guarda Revolucionária e domínio sobre os principais cargos na mídia estatal e no aparato de segurança, os conservadores têm condições de atrapalhar qualquer ímpeto reformista de Rouhani, especialmente se considerarem estar diretamente ameaçados.
Antevendo a oposição doméstica e as dificuldades econômicas acarretadas pelas sanções internacionais em decorrência do programa nuclear iraniano, Rouhani tem feito repetidos apelos por paciência.
"Temos muitos problemas à nossa frente. Nenhum governo na história do Irã enfrentou os problemas que este governo está enfrentando", disse Rouhani na reunião dos clérigos. "Os problemas não podem ser resolvidos em questão de dias ou meses."
(Reportagem adicional de Marcus George)











