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Primeiro-ministro da Tunísia apresenta renúncia, mas pode permanecer no cargo

Internacional|Do R7

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Miguel Albarracín. Túnis, 19 fev (EFE).- O primeiro-ministro da Tunísia, Hamadi Jabali, apresentou nesta terça-feira sua renúncia ao presidente do país, Moncef Marzouki, após o fracasso de seu projeto de criar um governo tecnocrata, mas deixou aberta a possibilidade de permanecer no cargo sob várias "condições". "Prometi que se não tivesse êxito nesta iniciativa renunciaria a meu cargo e isto é o que acabo de fazer durante minha reunião com o presidente do país", disse Jabali em um discurso que concluiu sem turno de perguntas. O primeiro-ministro propôs no último dia 6 a formação de um gabinete de tecnocratas após a explosão de uma onda de protestos em todo o país pelo assassinato do ativista político Chukri Bel Aid. Porém, Jabali não contava para isso com o respaldo de seu partido político e principal membro da aliança governista, Al-Nahda, que mostrou sua rejeição à iniciativa e propôs a formação de um Executivo de união nacional. Em seu discurso de renúncia, Jabali afirmou estar "convencido ainda" que a iniciativa de um "Governo de tecnocratas é válida", mas indicou que está pronto para seguir "servindo ao povo e fazer triunfar a revolução", em referência a sua disposição de ser designado novamente como primeiro-ministro transitório. No entanto, condicionou seu retorno ao cumprimento de uma série de "garantias". "Não aceitarei estar em um próximo Governo sem que seja estabelecida uma data fixa para as eleições assim como uma data para a finalização da Constituição", ressaltou o político. Além destas condições, que qualificou de "indispensáveis", Jabali exigiu que "o novo Governo sirva diretamente ao povo, evitando os conflitos políticos, para poder fazer mais esforços na aplicação de um programa claro". O programa deve ter uma "base política que reagrupe todos os tunisianos em torno de um diálogo nacional, sem exceção", comentou. Segundo explicou à Efe Sami Triki, advogado e membro do comitê executivo do Al-Nahda, o presidente Marzuki tem, a partir de hoje, um prazo de 15 dias "para designar outro primeiro-ministro após consultar o partido majoritário (Al-Nahda) que é o que propõe o candidato". "Há o paradoxo que, por enquanto, não temos outro candidato além de Jabali, por isso temos que estudar as condições que ele pôs e tentar cumpri-las para que aceite outra vez ser nosso candidato e permanecer no cargo", declarou Triki. Fontes ligadas ao chefe do Executivo afirmaram à Efe que Jabali já tem uma proposta de Governo misto que estaria "composto por técnicos assim como por políticos de quatro ou cinco partidos com representação parlamentar". Em seu discurso de hoje, após apresentar sua renúncia, Jabali declarou que o povo tunisiano se sente "frustrado" perante a classe política e ressaltou também que é necessário devolver-lhe a confiança no sistema e que a nova fase "é um teste para todos os partidos políticos". Além disso, indicou que tinha se reunido com seus ministros para pedir-lhes que continuem em seus cargos e evitar assim o vazio de poder e prometeu que não concorrerá nas próximas eleições. EFE ma-jfu/rsd

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