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Primeiro-ministro do Sudão sofre atentado a bomba em Cartum

Abdalla Hamdok saiu ileso mas um assessor ficou ferido. O primeiro-ministro disse que isso foi "um impulso adicional à mudança no Sudão"

Internacional|Do R7

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O primeiro-ministro sudanês Abdalla Hamdok sobreviveu a uma tentativa de assassinato contra seu comboio enquanto se dirigia para o trabalho na manhã desta segunda-feira (09) na capital Cartum, disseram autoridades.

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Hamdok disse que estava em "boa forma" e que o que havia acontecido seria "um impulso adicional à mudança no Sudão", onde lidera um governo de transição após a derrubada no ano passado do presidente de longa data Omar al-Bashir.

O governo de Hamdok está lutando para administrar uma grave crise econômica que desencadeou meses de protestos contra Bashir e continuou após sua queda em abril.


Três testemunhas disseram à Reuters que o ataque ocorreu perto da entrada norte da ponte Kober, que atravessa o Nilo Azul, desde Cartum Norte até o centro da cidade, onde fica o escritório de Hamdok.

O comboio parecia ter sido alvo de cima, disseram eles. A rádio estatal disse que foi atingida por tiros e um projétil, enquanto a televisão estatal disse que foi atingida por um carro-bomba.


"Vi o momento da explosão e do golpe, e o golpe veio de um edifício alto", disse uma testemunha.

Imagens transmitidas em canais regionais de TV e mídias sociais mostraram um comboio que incluía vários SUVs brancos danificados e outro carro severamente destruído.


Grandes multidões de espectadores se reuniram enquanto a polícia tentava proteger o local. Um membro da comitiva de Hamdok sofreu ferimentos leves, informou um comunicado do governo.

Foi iniciada uma investigação sobre quem estaria por trás do ataque, disse o ministro da Informação, Faisal Salih. "Tentativas terroristas e desmantelamento do antigo regime serão tratadas de forma decisiva. O que aconteceu não só atingiu o próprio primeiro ministro, mas também a revolução sudanesa."

O conselho de segurança sudanês, liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, condenou o ataque e disse que buscará a ajuda de países amigos para investigá-lo e levar suspeitos à justiça, segundo comunicado.

Transição tensa

Hamdok lidera um governo de tecnocratas sob um acordo de compartilhamento de poder entre os grupos militar e civil por um período de transição que deve durar até o final de 2022.

As relações entre civis e militares têm sido tensas, e o governo encontrou resistência ao tentar implementar reformas econômicas.

As autoridades de transição também estão tomando medidas para tirar o poder dos apoiadores de Bashir, incluindo partes dos serviços de segurança.

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Em meados de janeiro, agentes de segurança armados ligados a Bashir lutaram contra soldados em Cartum por várias horas, depois de uma disputa ligada a pacotes de indenização.

Logo após a derrubada de Bashir, as autoridades disseram ter frustrado várias tentativas de golpe por oficiais militares.

"A tentativa de assassinato do primeiro-ministro Abdalla Hamdok é o novo episódio de uma série de conspirações contra a revolução", disse Khalid Omer, um dos principais membros da coalizão civil que apoiou a revolta do ano passado, no Twitter.

Hamdok é um economista e ex-funcionário sênior das Nações Unidas que está bem conectado com a comunidade internacional.

O embaixador da Grã-Bretanha no Sudão, Irfan Siddiq, chamou o incidente de segunda-feira de "um evento profundamente preocupante (que) reafirmou a natureza frágil dessa transição e o papel vital desempenhado pelo primeiro-ministro".

Milhares de manifestantes anti-militares realizaram manifestações nas últimas semanas para apoiar Hamdok e seu governo.

Após o ataque desta segunda-feira (09), a Associação de Profissionais do Sudão (SPA), que liderou o movimento anti-Bashir, pediu mais comícios para mostrar unidade e apoio ao governo civil.

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