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Primeiro-ministro Najib Mikati renuncia no Líbano

Internacional|Do R7

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BEIRUTE, 22 Mar (Reuters) - O primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, anunciou nesta sexta-feira a renúncia do seu governo após uma disputa no gabinete com o grupo xiita Hezbollah por causa de preparativos para uma eleição parlamentar e a prorrogação do mandato de uma autoridade de segurança.

O impasse na reunião ministerial mergulhou o Líbano, já às voltas com as consequências da guerra civil na vizinha Síria, em um novo período de incertezas, a três meses da data prevista para a eleição.


Mikati propôs que um governo de unidade seja estabelecido para salvar o país dos "incêndios regionais e ... divisões internas".

"Anuncio a renúncia do governo, talvez como a única forma de que os principais blocos políticos do Líbano assumam suas responsabilidades e se unam para tirar o Líbano de um túnel desconhecido", afirmou Mikati.


Ele renunciou duas horas depois de uma reunião ministerial em que o grupo xiita Hezbollah e seus aliados barraram a criação de um órgão fiscalizador para a eleição parlamentar, além de se opor à prorrogação do mandato do chefe das forças internas de segurança, general Ashraf Rifi, que deve se aposentar no mês que vem.

Rifi, como Mikati, é um sunita da cidade de Trípoli, visto com desconfiança pelo Hezbollah.


Mikati se tornou premiê em 2011, depois que o Hezbollah e seus aliados derrubaram o governo de unidade nacional liderado por Saad al-Hariri. As tensões por causa da Síria o colocaram em conflito com o grupo militante que o trouxe para o poder e que apoia fortemente a luta do presidente sírio, Bashar al-Assad, contra rebeldes majoritariamente sunitas.

As facções políticas rivais do Líbano ainda não chegaram a um acordo sobre a eleição parlamentar, a ser realizada em junho, e a queda do governo pode adiá-la ainda mais.


"Parece que a nova lei eleitoral não será definida dentro de um cronograma que permita a realização de eleições parlamentares no prazo", disse Mikati.

Paul Salem, diretor do Centro Carnegie para o Oriente Médio, disse que a votação pode ser significativamente adiada.

"É um jogo de espera agora. Teremos um governo interino por um tempo. Os principais grupos querem ver o que vai acontecer na Síria."

Ele acrescentou que as divergências entres os apoiadores sunitas de Mikati e Hariri dificultam a ascensão de outro político sunita ao cargo de premiê.

A Constituição libanesa prevê que o primeiro-ministro seja sempre um sunita, que o presidente seja um cristão maronita, e que o presidente do Parlamento seja um xiita.

(Reportagem de Laila Bassam)

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