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Primeiro-ministro tailandês pede ao exército que atue dentro da Constituição

Militares decretaram lei marcial nesta terça-feira e censuraram todos os meios de comunicação

Internacional|Do R7

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Militares estão em vários pontos importantes de Bangcoc, principalmente no bairro comercial e nas zonas das estações de televisão
Militares estão em vários pontos importantes de Bangcoc, principalmente no bairro comercial e nas zonas das estações de televisão

O primeiro-ministro interino da Tailândia, Niwattumrong Boonsongpaisan, apelou nesta terça-feira (20) ao exército, que decretou lei marcial, que atue dentro da Constituição.

"O objetivo de qualquer ação deve ser conseguir a paz sem apelar para a violência e para discriminação, e dentro da Constituição", anunciou o gabinete do primeiro-ministro.


O exército decretou lei marcial sem consultar o governo, mas afirma que este não é um golpe de Estado, mas que pretendem apenas restaurar a paz depois de vários meses de crise política e confrontos.

Militares censuram meios de comunicação na Tailândia


Exército da Tailândia decreta lei marcial; governo diz que não foi informado

A primeira-ministra Yingluck Shinawatra foi destituída pela justiça em 7 de maio e substituída de modo interino por Niwattumrong.


O governo pretende convocar eleições em julho para tentar acabar com a crise, que já dura quase sete meses, mas os manifestantes pedem que o Parlamento nomeie um líder "neutro" não eleito.

Analistas acreditam que o partido governista, de Shinawatra, tem grandes possibilidades de vencer mais uma vez as eleições.


Os manifestantes contrários ao governo desejam profundas reformas antes de novas eleições. A meta dos opositores é acabar com a influência do bilionário Thaksin Shinawatra, ex-premier e irmão de Yingluck, a partir do exílio.

O Exército tailandês decretou a lei marcial no país após vários meses de crise política e de manifestações contra o governo, ocupou as ruas de Bangcoc e censurou a imprensa.

Pela manhã, soldados e veículos blindados guarneciam diversas posições no centro da capital, principalmente no bairro comercial, no setor dos hotéis e na zona das estações de televisão.

O comandante do Exército, general Prayut Chan-O-Cha, anunciou em rede nacional de rádio e TV a censura de todos os meios de comunicação no interesse da "segurança nacional".

"Está proibido a todos os meios de comunicação distribuir qualquer informação ou imagem que possa afetar a segurança nacional".

Dez canais de televisão — favoráveis ou contra o governo — foram fechados e deixaram de emitir imediatamente.

Durante a madrugada, ao declarar a lei marcial, o Exército destacou que a medida "não constitui um golpe de Estado, e tem por objetivo restaurar a paz e a ordem pública". "A população não deve ser tomada pelo pânico, a vida prossegue normalmente".

O Exército tailandês ameaçou, na quinta-feira passada, de intervir na crise após a morte de manifestantes em um ataque com granadas em pleno centro de Bangcoc.

O governo da Tailândia reagiu ao anúncio afirmando que não foi consultado pelos militares sobre a lei marcial e que o primeiro-ministro interino Niwattumrong Boonsongpaisan permanece no poder.

"O governo provisório continua com Niwattumrong como premier interino. Tudo está normal, exceto que o Exército assumiu a responsabilidade por todos os assuntos de segurança nacional", disse à AFP o assessor de Segurança Paradon Pattanatabut.

"O governo interino segue existindo", garantiu Pattanatabut.

A oposição comemorou a decisão como o último passo para derrubar o governo interino instalado após a destituição da primeira-ministra Yingluck Shinawatra, acusada de ser um fantoche de seu irmão, Thaksin, derrubado por um golpe de Estado em 2006 e atualmente no exílio.

Os manifestantes opositores, que acampam diante da sede do governo, exigem a designação de um primeiro-ministro "neutro" e defendem o adiamento 'sine die' das eleições.

Reunidos na periferia de Bangcoc, manifestantes pró-governo denunciaram que estão "cercados" pelos militares, após decreto da lei marcial.

"Estamos cercado pelos militares por todos os lados", disse à AFP Jatuporn Prompan, responsável pelo "Camisas Vermelhas", um poderoso movimento integrado por partidários do governo e muito forte entre a população rural do norte e nordeste del país.

O grupo tem advertido a oposição sobre o risco de uma eventual guerra civil com a queda do atual gabinete.

A Tailândia registrou 18 golpes de Estado desde 1932, quando foi instalada a monarquia constitucional, o último contra Thaksin Shinawatra, derrubado pelos militares em 2006.

Apesar de o comando do Exército ter mantido posturas diferentes durante os últimos meses, até o momento os militares haviam evitado se envolver na espiral crítica que abala o país, mesmo após os manifestantes ocuparem prédios públicos.

Em seis meses de crise, 28 pessoas morreram, a maioria vítima de "balas perdidas".

Thaksin é acusado de dirigir o país do exílio, mas segundo analistas, os manifestantes são apoiados pela elite monarquista, que considera o "clã Shinawatra", vencedor das eleições legislativas desde 2001, uma ameaça à monarquia.

O Japão foi o primeiro país a reagir à situação, manifestando sua preocupação com um país onde mantém grandes investimentos.

"Estamos muito preocupados com a situação na Tailândia (...) Apelamos mais uma vez, a todas as partes envolvidas, para que mostrem comedimento e evitem o recurso à violência", disse o porta-voz do governo japonês, Yoshihide Suga.

A Indonésia, importante parceiro econômico da Tailândia, manifestou sua profunda preocupação com a situação.

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