Procuradoria colombiana investiga 82 mil hectares de terras em poder das Farc
Internacional|Do R7
Bogotá, 2 ago (EFE).- O Ministério Público da Colômbia está rastreando 130 propriedades rurais com uma extensão de 82 mil hectares compradas de maneira irregular ou usurpadas por guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) nos departamentos de Meta e Caquetá (sul), informaram nesta sexta-feira veículos da imprensa local. O órgão empreendeu a investigação após examinar os arquivos e mensagens eletrônicas do computador do ex-chefe militar das Farc, Víctor Julio Suárez Rojas, conhecido como "Jorge Briceño Suárez" ou "Mono Jojoy", confiscado após sua morte em bombardeios em 2010, e avaliar testemunhos de outros ex-guerrilheiros, segundo o jornal "El Tiempo". Entre os documentos, estão e-mails das comissões de finanças das frentes do Bloco Oriental das Farc, a estrutura mais forte e com maior presença desse grupo desde que o governo do ex-presidente Andrés Pastrana (1998-2002) desmilitarizou um território do sul do país nas fracassadas negociações do Cagúan. Na lista de bens à qual o jornal fez referência, há fazendas que pertenceram ao falecido fundador da guerrilha, "Manuel Marulanda Vélez" ou "Tirofijo", e a "Mono Jojoy", que foi qualificado em fevereiro passado pelo presidente do país, Juan Manuel Santos, como "um dos grandes fazendeiros" da Colômbia. As autoridades ocuparam recentemente a emblemática Casa Vermelha de "Tirofijo" na via que une os municípios de São Vicente del Caguán (Caquetá) e La Macarena (Meta). A procuradoria estima que as Farc chegaram a ter em suas fazendas do sul do país 900 mil cabeças de gado, incluindo búfalos, e também tem conhecimento dos terrenos nos quais se cultivava folha de coca, em nome de laranjas que estão sob investigação. O Instituto Colombiano de Desenvolvimento Rural (Incoder) estima que em 2014 terminará a avaliação dos títulos de 500 mil hectares de terras em poder das Farc, embora particulares tenham reivindicado um total de 807 mil hectares em denúncias às autoridades. Com o diálogo de paz estabelecido em Havana, o governo de Santos e as Farc alcançaram, no último mês de maio, o primeiro acordo sobre terras para empreender uma reestruturação da propriedade e usos do campo, e têm pendentes outros quatro pontos na agenda, entre eles a responsabilidade com as vítimas do conflito. EFE agp/lvs










