Professora de jovem que morreu na Argentina publica carta-desabafo
Circulam pela internet montagens que mostravam Ismael como um dos saqueadores da loja. A professora nega que as imagens sejam verdadeiras
Internacional|Beatriz Sanz, do R7

Patricia Ramírez, a professora do adolescente de 13 anos que foi assassinado em uma tentativa de saque na última segunda-feira (3) Argentina publicou nas redes sociais uma carta onde se despede do garoto.
"Hoje deveria dado aulas e ele estaria lá, como de costume. Mas não. Agora eu estou indo para seu velório. Isso não deveria estar acontecendo, porque Ismael era uma criança, um rapaz, um bom menino, uma criança com sonhos ", diz Ramírez em seu post.
O menino foi atingido no peito por uma arma caseira. Ele não resistiu ao ferimento e morreu no hospital. O autor do disparo não foi identificado.
O incidente aconteceu na cidade de Sáenz Peña, na província argentina de Chaco, perto da fronteira com o Paraguai.
Segundo o jornal argentino Clarín, estão circulando na região boatos de saques pelo WhatsApp e pelas redes sociais.
Circulou também pela internet montagens que mostravam Ismael como um dos saqueadores da loja. A professora, no entanto, negou que as imagens sejam verdadeiras. Ramírez também pediu que a família do jovem seja respeitada.
A professora também compartilhou uma foto do garoto em uma celebração da escola. Para ela, os comentários negativos em relação a Ismael são feitos por conta de suas origens indígenas. “Nos comentários nas redes [sociais], os preconceitos em relação aos nossos povos nativos também são evidentes. Alguns até justificam o que aconteceu com ele só porque ele é membro de uma comunidade [indígena]. Não podemos permitir isso”, ressalta.
Leia a carta na íntegra:
Meu nome é Patricia Ramírez. Eu sou professora de Ismael. "Hoje deveria dado aulas e ele estaria lá, como de costume. Mas não. Agora eu estou indo para seu velório. Isso não deveria estar acontecendo, porque Ismael era uma criança, um rapaz, um bom menino, uma criança com sonhos "
E além dessa dor pela morte dele, temos que aturar muitas mentiras. Eles estão dizendo muitas coisas feias. Eles estão publicando fotos dele que não são dele. Fotos de crianças com armas. Seria bom se a informação fosse confirmada. E aqueles que não sabem o que aconteceu, quem não o conheceu, que não estavam perto dele, que fiquem calados. Porque aqueles que viviam com Ismael e o conheciam bem sabem como ele era.
Nos comentários nas redes, os preconceitos em relação aos nossos povos nativos também são evidentes. Alguns até justificam o que aconteceu com ele só porque ele é membro de uma comunidade. Isso não pode ser permitido.
Esta foto que eu compartilhei é a foto da comemoração do Dia das Crianças. Lá você pode ver que ele era uma criança, como qualquer outra. E como criança ele tem direitos. Direitos que não foram respeitados. O direito à vida e também outro direito que não está sendo respeitado: o direito à dignidade. É por isso que estamos pedindo respeito por sua família neste momento difícil".












