Logo R7.com
RecordPlus

Protesto em São Paulo termina com saques e tentativa de invasão da Prefeitura

Internacional|Do R7

  • Google News

São Paulo, 19 jun (EFE).- O sexto dia de protestos em São Paulo contra o aumento dos preços do transporte público terminou na madrugada desta quarta-feira com saques, incêndios e a tentativa de invasão da sede da Prefeitura por um pequeno grupo de manifestantes, que novamente entrou em conflitos com a Polícia Militar. Após evitar a intervenção durante horas, a tropa de choque voltou a enfrentar alguns manifestantes e a ocupar as ruas de São Paulo na madrugada de hoje, no final de um protesto que reuniu aproximadamente 50 mil pessoas. "Se ele não saírem daqui vamos atirar", ouviram de um policial militar três mulheres de meia idade que se refugiaram em um bar. "Estou tremendo até agora", dizia uma delas, após ter corrido desesperadamente por mais de dois quarteirões para se proteger. As ações foram a resposta das autoridades aos saques que ocorreram no centro e nas proximidades da Avenida Paulista por um grupo pequeno que não representava o movimento e que destruiu agências bancárias e algumas lojas do centro da capital paulista. Pelo menos 47 pessoas foram presas roubando aparelhos de televisão, micro-ondas, roupas e até um fogão de quatro bocas, que um homem arrastava em plena Praça da Sé. Segundo a polícia, os detidos eram moradores de rua e usuários de drogas que vivem no centro e se aproveitaram da situação caótica. Foi um triste fim para a sexta manifestação do Movimento Passe Livre (MPL), que foi completamente pacífica na sua maior parte, desde a sua saída na Praça da Sé após o horário de trabalho. "Estou com muito orgulho do meu país", disse Renata Pintor, uma operadora de telemarketing de 44 anos, que desceu do escritório para fumar um cigarro e aproveitou para ver de perto o protesto. Os manifestantes convocavam as pessoas nos edifícios aos gritos de "Vem pra rua! Vem contra o aumento! Vem! Vem!" "Estou aqui independente da minha classe social", disse Caio de Luca, de 17 anos, que estuda em uma escola particular e não usa o transporte público, mas que apoia a principal causa do MPL, o reajuste das tarifas de transporte. "Estou lutando por uma causa justa que afeta a milhares de brasileiros", declarou. Outros estudantes, estes da escola pública, pediam ao governo mais investimento em saúde e educação, e menos gastos com eventos esportivos como a Copa das Confederações, que é disputada no país desde o último sábado, e o Mundial do ano que vem. "Não há remédios nos hospitais, não há materiais nas escolas. Só investem nesse Mundial", reivindicava Ana Neimeier, de 17 anos, acompanhada por outros adolescentes de sua escola do ensino médio em Itaquera, bairro onde está sendo construído o estádio Arena Corinthians. "Ei, Fifa! Pague a minha tarifa!", era outro dos gritos dos manifestantes. "Acho que algo tem que acontecer. O governo está fazendo o que quer. Temos que engrossar este movimento que é legítimo", comentou René de Barros, um professor universitário de 50 anos. Muito perto da praça, um pequeno grupo de manifestantes tentou invadir a Prefeitura de São Paulo, quebrando os vidros de várias janelas. Foi aí que a paz acabou. A polícia enfrentou os manifestantes e começou a correria e o desespero em meio à fumaça das bombas de gás em uma área em que estavam concentradas mais de 5 mil pessoas. Jovens violentos incendiaram um carro de reportagem da emissora TV Record e uma cabine policial. Dois guardas ficaram feridos, segundo a Prefeitura, que também informou a respeito de uma tentativa de invasão do Teatro Municipal enquanto 300 pessoas assistiam a uma ópera. Na Avenida Paulista, para onde se dirigiu boa parte das pessoas depois das 20h, um grupo de manifestantes confrontou os policiais. A manifestação acabou com um conflito muito parecido com a da última quinta-feira, quando a Polícia Militar fechou os acessos à Avenida Paulista e atacou as pessoas que protestavam pacificamente e os jornalistas que cobriam os eventos, de acordo com testemunhas. EFE vg-cma/rpr (foto)

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.