Putin abre portas do Kremlin para opositor muito crítico sobre sua política
Internacional|Do R7
Arturo Escarda. Moscou, 27 abr (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reiterou neste sábado que as portas do Kremlin estão abertas para Alexei Kudrin, ex-ministro de Finanças com postura muito crítica com relação a algumas de suas políticas e que, quando estava no governo, foi demitido a pedido do ex-chefe de Estado e agora primeiro-ministro Dmitri Medvedev, hoje mais impopular do que nunca. "Nos vemos bastante, não com muita frequência, mas de maneira regular. Temos boas relações pessoais e o respeito muito, como pessoa e como especialista. Sua opinião nunca será demais", disse o líder russo em entrevista transmitida pela rede de televisão "Rossiya". O homem que dirigiu durante 12 anos as finanças russas, desde a chegada do presidente ao poder, em 2000, até o final de 2011, e que foi louvado muito elogiado por Putin durante discurso na quinta-feira passada na televisão, parece o melhor trunfo do Kremlin em meio aos problemas econômicos. Para surpresa de muitos, Putin polemizou abertamente e para todo o país com Kudrin sobre a política econômica, e reconheceu que ofereceu ao ex-titular da pasta de Finanças voltar ao poder. "Preguiçoso, não quer trabalhar", lamentou o chefe de Estado com um cúmplice sorriso, deixando claro que ele quer que esteja novamente a seu lado o homem que no final de 2011 irritou o então presidente Medvedev quando disse nos Estados Unidos que não faria parte de um governo dirigido por este após a volta de Putin ao posto de presidente. O ex-ministro também criticou o sistema de medidas e reformas de Medvedev e ressaltou que a economia russa deveria apostar na diversificação para superar sua dependência dos recursos energéticos. "Deve haver um programa, e não temos nenhum para deixar o país longe da dependência do petróleo. Não estou pronto para dirigir processos por inércia, mas para fazer políticas reais", disse. Além disso, enquanto Putin responsabilizava o cenário internacional pelo mau desempenho da economia local, Kudrin discordava e atacava a política social e os gastos militares do país. "Os principais fatores para o arrefecimento (da economia) foram neste ano internos, porque os externos os sentimos através dos preços do petróleo e estes se mantiveram. Portanto, temos um baixo ritmo de crescimento com preço do petróleo alto. Isso não acontecia em outros anos", ressaltou. Poucos minutos depois de Putin e Kudrin mostrarem suas diferenças para todo o país, especialistas e veteranos políticos começaram a apostar no ex-ministro das Finanças como futuro primeiro-ministro, apesar de o próprio presidente ter descartado mudanças no governo. Com a Europa abalada por graves problemas econômicos e sem ver luz no fim do túnel, Putin contava recentemente com dados macroeconômicos que faziam suspirar de inveja muitos colegas de outros países do continente: crescimento do PIB e dos salários, superávit orçamentário e uma dívida pública sob controle. O bom desempenho da economia e a constante melhora do nível de vida de uma grande parte dos russos apequenaram, por enquanto, as exigências democratizadoras da classe média, que cresceu ao calor da prosperidade das grandes cidades. A chave do sucesso de Putin é sua aura de "presidente dos operários e aposentados", como o chamou às claras uma jornalista que dirigiu, na quinta-feira passada, "A conversa com o povo", um programa de TV ao vivo no qual Putin respondeu a perguntas de cidadãos e também de alguns opositores tolerados. O "presidente dos aposentados", que criou um regime paternalista que subvenciona muitos de seus eleitores, aguenta bem as críticas dos ativistas de direitos humanos e seus protetores ocidentais, mas sofre turbulência com as más notícias econômicas, porque a abundância é o sustento de seu poder. Por isso, e devido à crescente impopularidade de Medvedev, já são muitos os analistas políticos que veem Kudrin como uma alternativa ao atual primeiro-ministro. Isso o ex-ministro tem tão claro como em 2011, quando deixou em evidência o então presidente: não voltará ao poder enquanto Medvedev continuar à frente do governo. EFE aep/id













