Relatório da ONU pede ação do Vaticano contra abuso sexual de crianças
Internacional|Do R7
Por Stephanie Nebehay e Philip Pullella
GENEBRA/CIDADE DO VATICANO, 5 Fev (Reuters) - A Organização das Nações Unidas pediu que o Vaticano "remova imediatamente" todos os clérigos que cometeram abusos contra crianças ou que são suspeitos de tais atos e os entregue para as autoridades civis, num relatório crítico sem precedentes divulgado nesta quarta-feira.
O Comitê das Nações Unidas sobre Direitos da Criança afirmou que as autoridades da Igreja impuseram um "código de silêncio" sobre religiosos, para evitar que eles denunciem ataques para a polícia, e além disso mudaram agressores de paróquia "numa tentativa de encobrir os crimes".
O comitê declarou que o Vaticano deve apresentar as evidências sobre os abusos contra dezenas de milhares de crianças e deve tomar medidas para evitar que eles se repitam.
O Vaticano respondeu rapidamente, dizendo em comunicado que a Igreja iria estudar o relatório e que estava comprometida com a defesa e a proteção dos direitos da criança.
No entanto, logo depois, o arcebispo do Vaticano Silvano Tomasi chamou o relatório de distorcido e injusto, afirmando que não foram levadas em consideração as mudanças feitas pela Igreja nos últimos dez anos para proteger as crianças.
Segundo o relatório, "o comitê está muito preocupado pela Santa Sé não ter reconhecido a extensão dos crimes cometidos, não ter tomado as medidas necessárias para lidar com os casos de abuso e proteger as crianças, e ter adotado políticas e práticas que levaram à continuação dos abusos e à impunidade dos agressores".
O papa Francisco chamou o abuso sexual de crianças "a vergonha da Igreja" e prometeu continuar com os procedimentos instaurados pelo seu antecessor, Bento 16.
De acordo com o documento, a comissão que o papa Francisco montou em dezembro deveria convidar especialistas e vítimas para participar das investigações sobre os abusos e a conduta da hierarquia católica no caso.
"Devido a um código de silêncio imposto a todos os membros do clero, sob pena de excomunhão, casos de abusos sexuais a crianças raramente foram relatados às autoridades policiais nos países onde tais crimes ocorreram", informou relatório.
O comitê da ONU sobre os Direitos das Crianças disse também que a Igreja Católica ainda não tomou medidas para prevenir a repetição de casos tais como o escândalo das lavanderias Magdalene, na Irlanda, onde meninas foram arbitrariamente colocadas em condições de trabalho forçado.











