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Resultados de análise são "coerentes" com suspeita de envenenamento de Arafat

Internacional|Do R7

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Isabel Saco. Lausanne (Suíça), 7 nov (EFE).- Os resultados das análises realizadas por cientistas suíços no corpo do líder palestino Yasser Arafat para determinar se ele morreu ou não envenenado são "coerentes" com a suspeita de que ele foi assassinado. "Nosso resultado é mais coerente com um envenenamento, mas não dizemos que demonstramos que (Arafat) foi envenenado", declarou á Agência Efe o diretor do Instituto de Radiofísica Aplicada (IRA) da Suíça, François Bochud, após uma entrevista coletiva na qual apresentou as conclusões das análises efetuadas. O cientista disse que os nove anos transcorridos desde o falecimento de Arafat, assim como o estado em que se encontrava seu corpo, contribuíram para a impossibilidade de determinar com certeza absoluta se houve um envenenamento. No entanto, durante a coletiva de imprensa, Bochud sustentou que "o resultado apoia razoavelmente a hipótese de um envenenamento". O estudo, elaborado em parceria com o Centro Universitário de Medicina Legal da região francófona da Suíça (CURML), se baseia em uma escala de probabilidade que vai de um a seis e, o resultado para um envenenamento de Arafat foi cinco. "Não estamos no nível mais elevado, mas um pouco mais abaixo, o que corresponderia a cinco", declarou o responsável do IRA. Por outro lado, Bochud confirmou que o período entre um envenenamento com polônio e a morte da vítima é de um mês, prazo que corresponde ao tempo que se passou entre a hospitalização e o falecimento do líder palestino. "Os casos de envenenamento com esta substância são poucos e se sabe que entre sua ingestão e a morte se passa normalmente um mês", comentou. Arafat começou a ter sintomas de um transtorno gastrointestinal no dia 12 de outubro de 2004 e, após uma série de complicações que agravaram seu estado, foi transferido da Cisjordânia para um hospital militar de Paris, onde morreu no dia 11 de novembro do mesmo ano. Sua viúva, Suha Arafat, alega desde então que o histórico líder palestino foi envenenado por uma pessoa próxima. Arafat apresentou "sintomas que, efetivamente, podem corresponder a um envenenamento por polônio", disse também à Efe o diretor do CURML, Patrice Mangin. Mangin precisou que o dirigente palestino apresentou uma "sintomatologia digestiva aguda e depois uma síndrome de coagulação vascular disseminada, que pode corresponder a uma reação do organismo ao estresse produzido por uma intoxicação". "A sintomatologia foi aguda e brutal e a quantidade de polônio (que se requer) é tão pequena que até uma quantidade ínfima pode provocar uma intoxicação", acrescentou o médico. Na entrevista coletiva foi explicado que alguns poucos microgramas de polônio são letais e que podem ser facilmente colocados em alimentos e bebidas. Mangin esclareceu que a quantidade de polônio nas mostras tomadas da caixa torácica e do quadril do cadáver de Arafat não pode ter sido ingerida de forma casual ou acidental, nem pouco a pouco. "Uma causa acidental está praticamente excluída, não há polônio por aí, em qualquer lugar. É um veneno raro, difícil de se encontrar", ressaltou. Outras duas pesquisas similares, para as que se conta também com mostras dos corpo de Arafat, foram realizadas paralelamente na Rússia e na França, mas seus resultados ainda não foram divulgados oficialmente. EFE is/apc-rsd (foto) (vídeo)

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