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Rio e São Paulo cedem a protestos e revogam aumento da tarifa do transporte

Internacional|Do R7

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São Paulo, 19 jun (EFE).- São Paulo e Rio de Janeiro cederam nesta quarta-feira à pressão dos maiores protestos no país em duas décadas e revogaram o aumento das tarifas do transporte público, que era a reivindicação inicial das centenas de milhares de pessoas que saíram às ruas desde a semana passada em grandes manifestações. As autoridades locais resistiram durante dias a tomar este passo com o argumento de que terão que cortar investimentos e despesas sociais em outras áreas, como saúde e educação, cuja melhora os manifestantes também reivindicam. Ontem, várias cidades, entre elas capitais estaduais como Recife e Porto Alegre, já haviam anunciado a redução. Em São Paulo, viajar de ônibus, trem e metrô voltará a custar R$ 3 a partir de segunda-feira, ao invés dos R$ 3,20 decretados no começo deste mês. No Rio de Janeiro, a passagem de ônibus também diminuirá 20 centavos, para R$ 2,75. "É um sacrifício grande. Vamos ter de cortar investimentos porque as empresas (concessionárias) não têm como financiar essa diferença", avisou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse que espera que o Congresso aprove um projeto de lei que reduz os impostos sobre o transporte público para compensar em parte o "sacrifício" que a Prefeitura fará para atender aos manifestantes. O Senado desempoeirou hoje essa proposta, que estava estagnada há cinco anos. Para amanhã estão previstas novas mobilizações em dezenas de cidades, incluindo Rio e São Paulo, e o Movimento Passe Livre, que convocou os protestos, manteve o chamado apesar ao anúncio da revogação. "Continuaremos lutando pela tarifa zero", disse à Agência Efe Luiza Mandetta, uma das lideres da organização. O anúncio do restabelecimento do valor das passagens aconteceu enquanto alguns milhares de pessoas se manifestavam em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. "O gigante acordou" e "sou brasileiro, com muito orgulho" foram alguns dos cânticos entoado pelos participantes, que continuaram marchando após os governos estadual e municipal voltarem atrás. A mobilização "tem que continuar porque não é só pelo preço da passagem, é pela corrupção, pela saúde, a educação", disse à Agência Efe Carolina Maranhão, uma estudante de biologia de 20 anos. Durante o protesto, houve confrontos de uma minoria com a Polícia Militar, e um grupo de manifestantes botou fogo em latas de lixo e outros objetos em uma das principais avenidas da cidade. Além disso, lojas e um ônibus foram atacados. A polícia bloqueou de maneira preventiva a Ponte Rio-Niterói, e em frente à estação das barcas, houve distúrbios. Mais cedo, em Fortaleza, também aconteceram confrontos entre a polícia e um grupo de manifestantes que cortaram o trânsito da avenida principal de acesso ao estádio que sediou hoje a partida entre Brasil e México pela Copa das Confederações Pelo menos oito policiais ficaram feridos por pedras jogadas pelos manifestantes, disse a PM à Agência Efe. O coronel João Batista, que tinha uma atadura no antebraço direito por causa de uma pedrada, disse que o protesto era inicialmente pacífico, mas que um grupo que definiu como "Os Infiltrados" derrubou o muro de uma casa das redondezas e pegou pedras para jogar nos agentes. Muitos manifestantes protestam também contra os altos gastos públicos em obras de infraestrutura para a Copa das Confederações e o Mundial de 2014. Hoje, o governo federal revisou para cima seu cálculo sobre o custo previsto em função da Copa do Mundo, que agora é de R$ 28 bilhões. EFE cma-jbl-rh/id (foto) (vídeo)

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