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Roberto Azevêdo, um experiente diplomata à frente da OMC

Internacional|Do R7

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O brasileiro Roberto Azevêdo, escolhido para se tornar o novo líder da Organização Mundial de Comércio (OMC), é um diplomata com vasta experiência nesta instituição, da qual conhece todos os segredos.

Aos 55 anos, ele é representante permanente do Brasil na OMC desde 2008, onde forjou uma reputação de hábil negociador e de "articulador de consensos", de acordo com diplomatas.


Azevêdo, que disputou com o mexicano Herminio Blanco o posto ocupado até então pelo francês Pascal Lamy, acredita ser a melhor opção para dar um novo ar a esta organização encarregada de regular o comércio internacional e sua aplicação.

Nascido em 3 de outubro de 1957 em Salvador, se formou em engenharia pela Universidade de Brasília antes de se tornar diplomata.


Durante sua carreira, resolveu diversas controvérsias comerciais importantes. Ele foi chefe de delegação em litígios vencidos pelo Brasil na OMC, como nos casos dos subsídios ao algodão contra os Estados Unidos e ao açúcar contra a União Europeia.

Também participou de quase todas as conferências ministeriais desde o lançamento, em 2001, das negociações de Doha sobre a liberalização do comércio mundial.


Um dos grandes desafios do novo chefe da OMC será retomar essas negociações, estagnadas há anos.

Em recente entrevista à AFP, Roberto Azevêdo explicou que as negociações sobre o comércio internacional estagnaram e defendeu suas ideias para promover seu avanço.


"O sistema comercial multilateral está enfraquecido por uma paralisia completa das negociações", declarou este embaixador do Brasil na OMC desde 2008.

"A coisa mais importante a ter em mente é que não se trata apenas de negociações, mas de todo o sistema", explicou.

"Trata-se de tornar o sistema compatível com o mundo de hoje, e a única maneira de chegar lá é incentivar o comércio e a liberalização do comércio como componente essencial das políticas de desenvolvimento", acrescentou Azevêdo.

"Em termos de negociações, precisamos de um diretor-geral capaz de arregaçar as mangas, sentar-se com os Estados membros, e conversar com eles em pé de igualdade", defendeu.

"Para isso, é necessário conhecer o sistema, e é isso, na minha opinião, que mais distingue a minha candidatura da do Sr. Blanco", afirmou.

O Brasil obteve um papel predominante na organização a partir de 2003, durante o mandato presidencial de Lula (2003-2010), e o país se tornou um dos maiores negociadores junto com União Europeia (UE), Japão, China, Índia, Estados Unidos e Austrália.

Criticado por causa de medidas consideradas protecionistas, o Brasil é hoje um defensor dos direitos dos países em desenvolvimento frente aos Estados Unidos e a UE, liderando ao lado da Índia o G20, grupo dos países em desenvolvimento.

Azevêdo é reconhecido como conciliador entre as partes.

O diplomata começou a carreira no Itamaraty em 1984 e participou em 2001 da criação da Coordenadoria geral de litígios do Ministério das Relações Exteriores, que dirigiu por quatro anos. Em 2005, ele se tornou o chefe do departamento econômico do ministério e, de 2006 a 2008, foi sub-secretário geral de assuntos econômicos.

Nove candidatos apresentaram candidaturas para suceder ao francês Pascal Lamy, ex-comissário europeu de Comércio que ficou no cargo durante dois mandatos de quatro anos. Quatro candidatos foram descartados após a primeira fase de avaliação.

Cinco candidatos passaram à segunda fase: Roberto Azevêdo, a indonésia Mari Pangestu, o mexicano Herminio Blanco, o sul-coreano Taeho Bark e neozelandês Tim Groser.

Na disputa final, o brasileiro venceu outro latino-americano, o mexicano Blanco.

bur-cdo/mnb/plh/am/dm

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