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Romney recebe apoio de americanos em Israel

Já nos EUA quase dois terços dos eleitores judeus apoiaram Barack Obama

Internacional|Do R7

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Americanos que vivem em Israel votaram no fim de outubro, deixando envelopes selados em urnas improvisadas
Americanos que vivem em Israel votaram no fim de outubro, deixando envelopes selados em urnas improvisadas

Americanos que vivem em Israel votaram no fim de outubro, deixando envelopes selados em urnas improvisadas em centros comunitários em Jerusalém e em outros locais do país. Entretanto, ao invés de essa experiência ajudar a unir os cidadãos, participar das eleições americanas em outro país pareceu acentuar a distância entre os eleitores judeu-americanos daqui e os que vivem nos Estados Unidos.

Uma pesquisa da organização American Jewish Committee, realizada no início de setembro, mostrou que quase dois terços dos eleitores judeus apoiavam o presidente Barack Obama nos Estados Unidos, assim como nas eleições anteriores. De acordo com pesquisas de boca de urna realizadas desde 1992, cerca de três quartos dos judeus americanos votaram no candidato democrata à presidência.


Historicamente, os votos de Israel praticamente não contam. O número de eleitores americanos no país é de cerca de 160.000 pessoas. Em 2008, apenas 30.000 compareceram às urnas. Muitos afirmaram que o processo necessário para o registro e a votação era complicado demais.

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Mas dessa vez, cerca de 75.000 americanos em Israel se registraram para receber uma cédula, incentivados provavelmente por assuntos delicados nas relações entre os Estados Unidos e Israel, mas também pela iniciativa do iVoteIsrael, um grupo de ativistas que afirma ser apartidário, mas que parece apoiar os republicanos.

Independentemente das razões – sejam as tensões entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o governo Obama, a crescente ameaça nuclear vinda do Irã, ou simplesmente o resultado das iniciativas do iVoteIsrael – muitas pessoas que preencheram as cédulas em um evento realizado pelo grupo afirmaram que votariam em Romney.


"Nos Estados Unidos, assim como muitas pessoas, voto no partido democrata", afirmou o Dr. Naftali Neal Fish, psicólogo clínico e hipnoterapeuta que veio da Filadélfia para Israel nos anos 1980. Essa foi a primeira vez que ele votou desde que saiu do país. Citando tanto a crise com o Irã quanto a situação econômica dos Estados Unidos, onde os americanos-israelenses ainda pagam impostos, afirmou que votaria em Romney.

Orit Straus, uma designer de interiores que veio de St. Louis para cá com a família há três anos, afirmou que votou em Romney "porque ele parece ser melhor para Israel".

Meir Simchah Panzer, da Virgínia, afirmou que havia pouca diferença entre os candidatos, mas que votaria em Romney "para mudar um pouco as coisas: ele parece ser uma pessoa que realmente se preocupa e tem princípios".

Daniel Laufer, de 26 anos, nascido em North Miami Beach, na Flórida, afirmou que votou em Romney em função de seu "histórico econômico", e porque havia se "desencantado com as políticas de Obama em relação ao Oriente Médio".

O iVoteIsrael patrocinou diversos debates no país e buscou eleitores potenciais por meio de mídias sociais, listas de e-mail comunitárias e publicações regionais. Os ativistas passaram de porta em porta, acessaram listas telefônicas, colocaram placas em frente a shoppings e registraram pais presentes em jogas das Ligas Infantis de Beisebol. A organização também providenciou urnas em locais como pizzarias e residências, inclusive em diversos assentamentos na Cisjordânia, onde os eleitores poderiam entregar formulários de registro e preencher cédulas.

O grupo não declarou apoio a nenhum candidato e o site da Embaixada dos Estados Unidos o menciona como um grupo apartidário. Elie Pieprz, diretor nacional de campanha do iVoteIsrael, afirmou que o grupo registrou eleitores de 49 estados, incluindo "milhares" de pessoas de estados indecisos, como a Flórida e Ohio.

"A decisão das eleições entre Bush e Al Gore no ano 2000 ficou nas mãos dos 537 eleitores da Flórida que votaram em outros países, dos quais apenas 64 – entre os milhares de israelenses nascidos na Flórida – foram enviados de Israel!", afirmou o grupo em seu site, acrescentando que "queremos um presidente na Casa Branca que apoie Israel e se comprometa profundamente com a segurança e o direito de defesa do país".

Mas os críticos dos democratas notaram que algumas das mensagens do iVoteIsrael, especialmente na página do Facebook, possuíam um tom obviamente contrário a Obama, incluindo um convite às urnas escrito pelo agressivo ex-embaixador das Nações Unidas, John R. Bolton, que apoiou Romney.

Aumentando a incerteza, o iVoteIsrael não revelou quais seriam suas fontes de financiamento. A organização matriz, conhecida como Americans for Jerusalem, não tem fins lucrativos e não revelou seus financiadores. Mas o Sunlight Foundation Reporting Group afirmou em outubro que o Americans for Jerusalem parece ter ligações com Ronald S. Lauder, o empresário e filantropo conservador americano que apoia causas republicanas. O escritório de Lauder não quis comentar o assunto.

Pieprz, um ex-ativista republicano que veio para Israel em 2010, afirmou apenas que o iVoteIsrael era financiado por apoiadores da direita e da esquerda, e que as atividades do dia a dia eram realizadas pelo Americans for Jerusalem.

O aparente crescimento do número de eleitores em outros países aumentou o debate sobre a capacidade desses votos de realmente fazer a diferença.

"Em números absolutos", afirmou Pieprz, "os votos de Israel podem certamente mudar os rumos da eleição".

Os Republicanos Em Israel, que representam o partido no país, concentraram seus esforços na eleição para senadores em Ohio, onde o democrata, Sherrod Brown está na liderança. Marc Zell, diretor da organização Republicanos Em Israel, afirmou que mobilizou dezenas de voluntários para enviar artigos de opinião, cartas e respostas aos jornais de Ohio, apoiando o candidato republicano Josh Mandel, Romney e Israel. Zell acrescentou que voluntários de Israel também estão ligando para eleitores potenciais na Flórida.

Mas os apoiadores de Obama não acreditam na ideia de que os americanos em Israel possam afetar as eleições de novembro.

Hillel Schenker, vice-diretor dos Democratas Em Israel, afirmou que no ano 2000 "a Flórida foi roubada. Não acredito que o resultado tenha sido definido pelos eleitores de outros países, mas pela manipulação da eleição". Mais do que isso, a maior parte dos israelenses-americanos vota em estados como Nova York, Califórnia e Illinois, onde o impacto é insignificante.

David A. Harris, presidente e executivo chefe do Conselho Nacional Democrático Judaico, afirmou que "infelizmente para os americanos que vivem em Israel, seus votos não ajudarão a candidatura de Romney".

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