Ruby, do escândalo Berlusconi por prostituição, critica a imprensa
Internacional|Do R7
A jovem marroquina Karima el-Mahrug, conhecida como Ruby, peça central do julgamento por prostituição de menores e abuso de poder contra o ex-chefe de Governo Silvio Berlusconi, criticou nesta quinta-feira a imprensa e a justiça.
"Se este é o Palácio de Justiça, quero que se faça verdadeiramente justiça", afirmou à imprensa nas escadas do edifício, com um cartaz com a frase "Quero me defender das mentiras e dos preconceitos".
"A culpa é desta imprensa que, para atacar Silvio Berlusconi, me prejudicou. Falo dos jornalistas que me agrediram ao divulgar as escutas telefônicas que me envolviam. As mesmas pessoas que, manipulando a verdade, fizeram de mim o que não sou: uma prostituta", disse, ao ler um comunicado.
"Meu sofrimento é também culpa dos magistrados que, motivados por intenções que não correspondem aos valores da justiça, me atribuíram o qualificativo de prostituta, apesar de sempre ter negado ter mantido relações sexuais por dinheiro, em particular com Silvio Berlusconi", completou a jovem de 20 anos.
"Aos 17 anos, não sabia nem quem eram os ministros, não lia os jornais, apenas sabia quem era Silvio Berlusconi. Hoje compreendi que uma guerra contra ele está em curso, que não me envolve, mas na qual estou envolvida e que me afeta. Não quero ser vítima desta situação, não é justo".
A jovem pediu para "ser ouvida pelos juízes de Milão para contar a verdade e impedir que alguém cometa uma ofensa por algo que não fiz".
"Quero que minha filha (nascida em dezembro de 2011) tenha orgulho da mãe", concluiu, sem conseguir conter o choro.
Ruby foi convocada em dezembro pelo tribunal de Milão, mas informou pelos advogados que estava no México. Após vários adiamentos da audiência, ela compareceu em 14 de janeiro, mas não prestou depoimento após um acordo entre a promotoria e seus advogados. A audiência foi considerada não indispensável e o tribunal decidiu que poderia usar suas declarações aos investigadores.
Berlusconi está sendo julgado desde abril de 2011 em Milão por prostituição de menores e abuso de poder.
O ex-chefe de Governo é acusado de ter pago Ruby em 10 ocasiões por serviços sexuais e de ter pressionado a polícia para que a liberasse em maio de 2010, quando a jovem foi detida por furto.
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