Rússia considera precipitada a retirada da Otan do Afeganistão
Internacional|Do R7
Moscou, 18 jun (EFE).- A Rússia considera precipitado o anunciado recuo das forças internacionais da Otan (Isaf) no Afeganistão, declarou nesta terça-feira Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores russo. "Temos a impressão de que em seu objetivo de voltar para casa, a maioria de suas tropas os norte-americanos e seus aliados forçam a cessão da responsabilidade aos afegãos", disse Lavrov, citado pelas agências locais. Lavrov criticou os aliados por tomar a decisão "sem levar em conta a situação nas regiões onde ocorre a transferência" da segurança. "A atual situação no Afeganistão está longe de ser estável e a tendência é de se agravar", alertou. Na sua opinião, para que a retirada das tropas aliadas "não provoque um desabe da situação no país, a redução das tropas aliadas deve ser compensada com um aumento da capacidade de combate das estruturas de segurança afegãs". "Em resumo, (as forças afegãs, 350 mil soldados) devem ser capazes de controlar por si mesmas a segurança em seu Estado e enfrentar os grupos extremistas e as redes de narcotráfico", disse. Quanto a isso, o ministro russo opinou que, "por enquanto, não se veem grandes progressos" e deu como exemplo a recente morte na província de Qunar de 14 soldados afegãos e sua base completamente destruída. "O que ocorre hoje no Afeganistão tem uma grande influência na situação na região. Existe o perigo da desestabilização. Os grupos extremistas e terroristas uzbeques e tayikos no norte se dispõem a penetrar nos países de Ásia Central", disse. Lavrov acredita que 2014 é um ano-chave para o futuro do Afeganistão, já que, além do concluir a retirada dos aliados, em abril haverá eleições presidenciais. O titular lembrou ainda que os Estados Unidos e os aliados negociam com as autoridades afegãs a presença no país depois do próximo ano de uns 10 mil soldados estacionados em nove bases militares. A Isaf acaba de passar aos afegãos o controle sobre 95 distritos que ficam principalmente em Kandahar, província de nascimento dos talibãs, e Nangarhar, Jost e Paktika, fortificações dos insurgentes ao longo da fronteira com o Paquistão. Recentemente o presidente russo, Vladimir Putin, fez um apelo a reforçar o sistema de segurança nas fronteiras da Rússia com a região da Ásia Central em previsão de uma possível piora da situação no Afeganistão após a retirada das tropas ocidentais. Putin opina que as forças aliadas, em sua maioria americanas, não conseguiram se impor às organizações terroristas e que, muito pelo contrário, "sua atividade aumentou nos últimos tempos". A Rússia pediu várias vezes aos EUA para determinarem um prazo para sua presença na Ásia Central, mas agora teme que a retirada das tropas ocidentais crie uma lacuna de poder que pode ser preenchida por grupos fundamentalistas, como os talibãs. EFE io/tr











