Rússia diz que decisão da Otan de suspender cooperação lembra Guerra Fria
Internacional|Do R7
Moscou, 2 abr (EFE).- A decisão da Otan de suspender a cooperação militar com a Rússia lembrou os tempos da Guerra Fria, assegurou nesta quarta-feira o porta-voz da Chancelaria russa, Aleksandr Lukashevich. "A decisão do Conselho da Otan (...) traz a sensação de um 'déjà vu'. A linguagem utilizada lembra as guerras de discussões da época da Guerra Fria", assinalou Lukashevich em declarações às agências locais. O diplomata ressaltou que nem a Rússia e nem a Otan sairão ganhando com o cancelamento da luta conjunta "contra as ameaças de novo cunho e os desafios à segurança europeia e internacional, principalmente em âmbitos como a luta contra o terrorismo, a pirataria e as catástrofes naturais e tecnológicas". "A decisão nos remete aos eventos ocorridos há seis anos, quando Bruxelas congelou os trabalhos do Conselho OTAN-Rússia", destacou o porta-voz em alusão à suspensão da cooperação após a guerra russo-georgiana pelo controle da Ossétia do Sul (2008). No entanto, lembrou Lukashevich, "o fim desse congelamento é bem conhecido, já que a Otan retomou por iniciativa própria a cooperação com a Rússia". Já o embaixador russo perante a Otan, Aleksandr Grushko, tachou de "infundadas e inventadas" as afirmações sobre os "supostos planos agressivos de Moscou" e as ameaças aos membros da aliança. "O objetivo dessas manobras é evidente: instigar os instintos de Guerra Fria e demonstrar a importância da Otan nas atuais condições de segurança e, ao mesmo tempo, arrancar dos contribuintes mais fundos para necessidades militares", apontou. De acordo com Grushko, a Rússia "tomará todas as medidas necessárias para garantir sua segurança". Além disso, o chefe do Comitê para Assuntos Internacionais do parlamento russo, Alexei Pushkov, assegurou "que os planos da Otan para aumentar sua presença militar no leste da Europa, como resposta à incorporação da Crimeia à Rússia, não ajudarão a melhorar a segurança na região". Pushkov, que qualificou a aliança de "cadáver político", acusou seus líderes de querer aproveitar a crise da Ucrânia para "colocar sangue novo" em uma organização "que caiu já não ao segundo, mas ao terceiro plano no esquema de prioridades dos Estados europeus". "Rasmussen entende perfeitamente que a Otan é uma organização que perdeu seu inimigo externo. As tentativas de transformar o terrorismo internacional em inimigo fracassaram. E, agora, alguns círculos acham que para reviver a organização (...) é preciso ressuscitar a ameaça russa", finalizou Pushkov. Ontem, os chanceleres da Otan decidiram desenvolver "com urgência" medidas para reforçar sua defesa coletiva, as quais poderiam incluir desdobramentos ou o reforço de militares no leste da Europa. Além disso, eles também confirmaram a suspensão, já estipulada em nível de embaixadores, de toda a cooperação prática civil e militar com a Rússia, embora tenham mantido abertos os canais diplomáticos. EFE io/fk












