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Rússia e EUA negam que conferência de paz da Síria esteja agendada

Internacional|Do R7

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Por Alexei Anishchuk

MOSCOU, 17 Out (Reuters) - Um alto funcionário sírio disse na quinta-feira que uma conferência de paz destinada a resolver a guerra civil do seu país foi marcada para os dias 23 e 24 de novembro, mas a Rússia e os Estados Unidos, que organizam conjuntamente o evento, negaram que a data tenha sido marcada.


Uma porta-voz do enviado especial da ONU para a Síria, Lakhdar Brahimi, também colocou em dúvida a declaração do funcionário sírio.

O vice-premiê sírio, Qadri Jamil, citou as datas durante uma entrevista coletiva em Moscou, mas posteriormente declarou à Reuters: "Isso é o que Ban Ki-moon (secretário-geral da ONU) está dizendo, não eu".


Horas depois, Alexander Lukashevich, porta-voz da chancelaria russa, disse que "não devemos nos antecipar". "Não é assunto para as autoridades sírias, e sim responsabilidade do secretário-geral da ONU, anunciar e marcar datas acordadas por todas as partes".

Os EUA adotaram o mesmo tom. "Discutimos datas potenciais, mas nada foi finalizado", disse Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado. "Nenhuma data é final até que seja marcada e anunciada pela ONU."


Khawla Mattar, porta-voz de Brahimi, disse que não há expectativa de que a data seja anunciada antes do começo de novembro. Ela disse que um adjunto de Brahimi, Nasser al Kidwa, vai se reunir fora da Síria com representantes da oposição a Bashar al Assad para "discutir com eles sua disponibilidade para datas específicas em novembro".

A conferência de paz foi proposta em maio pela Rússia, aliada do governo de Assad, e a iniciativa recebeu o aval dos EUA, cujo governo apoia os rebeldes sírios. Divergências sobre quem deveria participar e sob quais condições inviabilizaram a realização do encontro desde então, mas o acordo do mês passado para que Damasco entregue seu arsenal de armas químicas deu novo impulso aos preparativos da conferência de paz.


A guerra civil na Síria começou em março de 2011 e já matou mais de 115 mil pessoas, segundo cálculos do Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo ligado à oposição que funciona na Grã-Bretanha.

Jamil, o vice-premiê, disse que a conferência é necessária porque "todos estão num beco sem saída - um beco sem saída militar e político".

"Genebra é a saída para todos: os americanos, a Rússia, o regime sírio e a oposição. Quem perceber isso irá se beneficiar. Quem não perceber vai ver que ficou de fora do processo político."

Um dos principais entraves até agora à realização da conferência é a discordância a respeito da participação do Irã. Os EUA dizem que só aceitarão a presença iraniana em Genebra se a República Islâmica aceitar de antemão que um governo provisório deve ser instalado na Síria, o que exigiria que seu aliado Assad se afastasse do poder.

(Reportagem adicional de Stephanie Nebehay em Genebra e Lesley Wroughton em Washington)

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