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O que é a doença da descompressão que matou militar mergulhador nas Maldivas

Sargento-mor participava de operação que resgatava corpos de turistas italianos em cavernas submarinas no país

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A morte do sargento-mor Mohamed Mahudhee, das Forças de Defesa Nacional das Maldivas, ocorreu durante operação de resgate em cavernas subaquáticas.
  • A doença da descompressão, que ele contraiu, acontece devido à rápida redução da pressão durante a subida após mergulhos profundos.
  • Os sintomas podem incluir desde dores articulares até problemas graves como confusão mental e colapso cardiovascular, dependendo da gravidade do caso.
  • A prevenção envolve seguir tabelas de mergulho e realizar paradas de descompressão, além de tratamento com oxigênio em alta concentração em casos de emergência.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mohamed Mahudhee era considerado um dos mergulhadores mais experientes das Maldivas Reprodução/X @Thoriqibrahim

A morte do sargento-mor Mohamed Mahudhee, integrante das Forças de Defesa Nacional das Maldivas, chamou atenção para um dos maiores riscos do mergulho em grandes profundidades: a doença da descompressão. O militar passou mal durante uma operação para localizar quatro italianos desaparecidos em um sistema de cavernas subaquáticas no Atol de Vaavu e não resistiu.

A condição ocorre quando uma pessoa é submetida a uma redução rápida da pressão ao retornar à superfície. Nesse processo, o nitrogênio dissolvido no sangue e nos tecidos deixa de permanecer em estado líquido e passa a formar bolhas gasosas dentro do organismo.


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O que ocorre em um mergulho profundo

Durante um mergulho profundo, a pressão aumenta aproximadamente uma atmosfera a cada 10 metros. Isso faz com que o corpo absorva quantidades muito maiores de nitrogênio, um gás que compõe a maior parte do ar respirado pelo mergulhador. Enquanto a pessoa permanece no fundo, esse nitrogênio fica dissolvido no sangue e nos tecidos sem causar danos imediatos.

O problema começa na subida. Para eliminar o excesso de nitrogênio, o organismo depende dos pulmões, que liberam o gás gradualmente pela respiração. Se o retorno à superfície ocorre rápido demais, o corpo não tem tempo suficiente para completar esse processo.


O mecanismo é frequentemente comparado ao de uma garrafa de refrigerante. Enquanto a embalagem está fechada, o gás permanece dissolvido no líquido por causa da pressão interna. Ao abrir a tampa, a pressão cai e as bolhas aparecem. No corpo humano, o mesmo fenômeno pode ocorrer quando a pressão diminui abruptamente após um mergulho profundo.

Microbolhas interrompem passagem de oxigênio

Essas microbolhas de nitrogênio podem se comportar como pequenos coágulos de ar, bloqueando vasos sanguíneos e interrompendo o transporte de oxigênio para órgãos vitais. Dependendo da região atingida, o quadro pode causar falta de ar intensa, alterações neurológicas, infarto, acidente vascular cerebral (AVC), paralisia e até parada cardiorrespiratória.


Os sintomas variam conforme a gravidade do caso. Nas formas mais leves, o mergulhador pode apresentar dores articulares, fadiga, tontura, manchas na pele, formigamento e dormência. Em situações mais graves, pode haver confusão mental, perda de consciência e colapso cardiovascular.

Segundo especialistas, fatores como profundidade, tempo submerso, esforço físico, temperatura da água e velocidade da subida aumentam significativamente o risco. Idade acima de 30 anos, baixa aptidão cardiovascular, tabagismo, consumo de álcool e algumas doenças cardíacas e pulmonares também podem elevar a probabilidade da complicação.


Como prevenir a doença

A principal forma de prevenção é seguir rigorosamente as tabelas de mergulho e realizar paradas de descompressão, pausas em profundidades determinadas para permitir que o nitrogênio seja eliminado de forma segura. Hidratação adequada, descanso e planejamento detalhado também são considerados essenciais.

Quando os sintomas aparecem, o atendimento deve ser imediato. O tratamento padrão inclui administração de oxigênio em alta concentração e, sempre que possível, o uso de uma câmara hiperbárica, equipamento que recria pressões elevadas para reduzir as bolhas e permitir a eliminação gradual do gás.

Na maioria dos casos, a terapia hiperbárica apresenta bons resultados, especialmente quando iniciada nas primeiras horas após o surgimento dos sintomas. Em quadros neurológicos graves, no entanto, podem permanecer sequelas permanentes.

Como foi com o militar das Maldivas

No caso de Mahudhee, o mergulho ocorreu a cerca de 60 metros, profundidade considerada muito além dos limites do mergulho recreativo e classificada internacionalmente como mergulho técnico. Em ambientes como cavernas, onde a subida imediata nem sempre é possível, os perigos se multiplicam.

Especialistas consultados pela imprensa local afirmaram que o sargento utilizava ar comprimido comum, e não misturas específicas como Trimix, que é composta por oxigênio, nitrogênio e hélio e é normalmente empregadas em mergulhos técnicos profundos. Nessas condições, além da doença da descompressão, também podem ocorrer narcose por nitrogênio e toxicidade pelo oxigênio, ambas capazes de comprometer o julgamento e provocar perda de consciência.

Quem era o militar

Mahudhee, de 44 anos, era considerado um dos mergulhadores de resgate mais experientes do país e acumulava milhares de operações, incluindo descidas a até 70 metros. Sua morte ocorreu menos de 24 horas após ele participar de uma reunião com o presidente das Maldivas, Mohamed Muizzu, para apresentar o plano de recuperação dos corpos dos turistas italianos.

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