Seca na Somália deixa um milhão de crianças em risco de desnutrição
Além da vulnerabilidade dos habitantes no país, há falta de refúgio para quem foi forçado a se deslocar devido à escassez das chuvas
Internacional|Da EFE

A falta de chuvas após a temporada úmida na Somália, que vai de abril a junho, levará uma iminente seca que colocará um milhão de crianças em risco de desnutrição, segundo informou a ONG International Rescue Committee (IRC) nesta terça-feira (28) em comunicado.
Até o final do ano, quase um milhão de crianças podem sofrer de desnutrição e destas, 175 mil correm risco de desnutrição severa no país, segundo o comunicado.
Isso acontece porque a Somália ainda está se recuperando da letal seca de 2017, que foi a principal causa dos deslocamentos da população nesse ano e fez com que o número de pessoas à beira da fome se multiplicasse por dez.
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"O dano já está feito. A população não teve maneira de se recuperar da devastação (da última escassez de chuvas) de 2017", explicou o diretor para a Somália da IRC, Richard Crothers.
Além da vulnerabilidade dos habitantes e da falta de refúgio causados pelos deslocamentos forçados, é preciso somar a falta de água, segundo Crothers.
"O ponto de partida da seca de 2019 é realmente preocupante e sabemos que as coisas vão piorar", explicou o diretor desta ONG.
O Conselho Norueguês de Refugiados (NRC, por sua sigla em inglês) já anunciou no começo do mês que quase 2,2 milhões de pessoas estão em risco de crise de fome na Somália.
De acordo com o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), a seca em 2018 durante a tradicional temporada de chuvas de outubro a dezembro aumentou a população em situação de "insegurança alimentícia" em 10%; até chegar a 1,7 milhão.
Este número equivale a mais do que o dobro do que no mesmo período de secas de 2016 a 2017, e segundo o NRC, "espera-se que alcance 2,2 milhões de pessoas no mês de julho".
A falta de chuvas nas duas últimas temporadas acontece depois de um período de inundações e chuvas que castigou o país há um ano.












